Com base no texto publicado originalmente no OICidade
Dificilmente Brasília ficará livre desta chaga que é o analfabetismo até o final do governo Agnelo. Entra governo e sai governo, e o Distrito Federal não consegue livrar-se deste mal que acompanha a capital federal desde a sua inauguração: o analfabetismo. A tarefa é difil, mas não impossível. Em poucos anos de governo Evo Morales, a Bolívia obteve da Unesco a certificação de eliminação do analfabetismo naquele país.
No DF, somente no chamado “quadradinho”, que reúne Brasília e as demais cidades, existem cerca de 65 mil pessoas analfabetas. São mais de 10 analfabetos por quilômetro quadrado. O grande problema é saber onde estão estes analfabetos para, em seguida, convencê-los a participar de um programa de letramento.
Uma das estratégias mal pensadas no programa de erradicação do analfabetismo do GDF foi a criação de um serviço do tipo 0800 para que o analfabeto tomasse ele mesmo a iniciativa de ligar para os órgãos do GDF e se identificar como um iletrado. Além da dificuldade operacional de fazer chegar esta informação a quem não sabe ler e escrever, era inconcebível esperar que voluntariamente um analfabeto revele sua condição de educação a uma pessoa desconhecida, do outro lado da linha telefônica. Em todas as experiências vitoriosas de erradicação do analfabetismo no mundo, o envolvimento das comunidades, entidades como sindicatos e igrejas foi fundamental. Um arrastão de casa em casa se faz necessário.
Segundo informa o GDF, o programa DF Alfabetizado entra na segunda fase. Turmas das zonas rurais e urbanas com alunos entre 15 e 80 anos passarão a se familiarizar com o mundo das letras. A previsão é de que, como houve a inscrição de aproximadamente 2 mil pessoas, sejam formadas 157 turmas.
O ritmo continua muito lento. Não existem dados seguros sobre quantas pessoas foram alfabetizadas em pouco mais de 15 meses de governo, mas no ano passado foram formadas cerca de 200 turmas. Nessa velocidade, dificilmente a meta de alfabetizar 65 mil pessoas até 2014 será alcançada.
No DF Alfabetizado os alunos são formados por voluntários treinados pela Secretaria de Educação. Eles passam por todo processo de formação, assim como é feito com os alunos das séries iniciais. Após o término da alfabetização, eles serão avaliados quanto ao nível em que se encontram e podem seguir para séries mais avançadas, caso queiram prosseguir nos estudos.
A previsão é de que a próxima etapa de inscrições seja no início do próximo semestre, com a matrícula de novos voluntários e, logo em seguida, dos alunos. A seleção dos interessados é feita pelas coordenações e regionais de ensino público e por movimentos sociais, que procuram a rede pública de ensino. As turmas estão distribuídas pelas cidades de Ceilândia, Paranoá, Itapoã, Sobradinho, Planaltina, Recanto das Emas, Taguatinga e Cidade Estrutural.
O governo do Distrito Federal prevê que até 2014 o número de analfabetos no DF seja zerado pelo programa. A vontade do governo é formar, até o fim do ano, 10 mil pessoas. O programa DF Alfabetizado é uma parceria com o programa do governo federal Brasil Alfabetizado.