Moradores do Park Way revitalizam paradas de ônibus do bairro

ponto-de-onibus-decoradoArte e Natureza à espera do transporte coletivo

Por Chico Sant’Anna

 

Moradores do Park Way, residentes na Quadra 15 do bairro, decidiram dar um toque diferente nas quatro paradas de ônibus das imediações. Numa feliz união de arte e natureza, as paradas agora retratam a beleza natural existente no bairro, que luta para preservar suas condições ambientais.

Transporte Coletivo não é o forte no Park Way. Apesar de existirem oficialmente diversas linhas na planilha do DFTrans, nem todas elas operam e quando operam nem todas cumprem o itinerário e a freqüência previstos. Há décadas, a comunidade do bairro reclama em vão por este serviço. Com dimensões espaciais grandiosas, a falta de ônibus obriga a caminhadas de até oito quilômetros para pegar um ônibus na EPIA-BR-40. É como quem morasse nas SQS 116 Sul tivesse que caminhar até o Teatro Nacional para pegar a condução. E o pior: na EPIA-BR-40 quatro estações do BRT nunca operaram, obrigando os moradores a pegar diversos ônibus para fazer o mesmo trajeto que o BRT faz. Outra saída é se arriscar nos transportes piratas em ônibus ou moto-taxi, que operam sem problemas.

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recuperacao-de-pontos-de-onibus-2Mas a quadra 15 é uma que conta com serviços de transportes. O que faltava eram abrigos de ônibus. “A nossa história começou com a chegada de uma parada de ônibus no início do mês de fevereiro que foi instalada entre os conjuntos 07 e 09. Uma demanda que pleiteamos desde 2015. A quadra 15 tem uma particularidade, metade da quadra é atendia pela estrada DF-055, que começa na quadra 14 e vai até a Vargem Bonita. Este trecho está sob responsabilidade  do DER, tem acostamento, calçadas e paradas de ônibus. A outra metade é uma via interna e sua manutenção é responsabilidade da Novacap. Esse trecho que interliga a 15 à quadra 17 e a Vargem Bonita não tem acostamento, calçadas ou abrigos para aguardar o transporte público” – explica a moradora Tércia Guarlberto, uma das mobilizadoras pela vitalização das paradas de ônibus.

Logo a parada ganhou pichação e ficou suja. Foi quando a vizinhança resolveu agir. Duas técnicas foram cogitadas. A primeira, seria em lona de vinil plotada com fotos da riqueza da natureza local, clicadas por moradores da quadra, dentre eles Roberto Hílário, Fernandes da Cruz, Vera Novaes e Beatriz Brasil. A segunda opção era baseada no Grafite. Depois de três dias de debates e um de votação, o grafite venceu com 24 votos contra 16 votos para de fotos com impressão em lona.

Fotos da fauna e da flora do Park Way, como essa do morador Hilário, serviram de inspiração para as pinturas

Fotos da fauna e da flora do Park Way, como essa do morador Roberto Hilário, serviram de inspiração para as pinturas.

O artista grafiteiro escolhido foi Davi Aires, indicado pelo morador Fabio Orlandi  e cujos os trabalhos já se espalharam por diversos pontos do Distrito Federal. Mas as imagens das fotos captadas pelos fotógrafos artistas da quadra não foram esquecidos. Elas se transformaram em base de inspiração para as pinturas.
Definida a técnica, faltavam os recursos, estimados em cerca de R$ 2 mil. Os próprios moradores se cotizaram. “Em menos de doze horas mais de 50 moradores se prontificaram em colaborar com uma cota do orçamento realizado envolvendo material, remuneração do artista e logística para realizar o serviço.

“Pretendemos entregar o serviço até os primeiros dias de março. No dia dia 13, comemoramos o aniversário do Park Way em desta forma resolvemos fazer a nossa contribuição como comunidade, e presentear o bairro em seu mês de aniversário com uma repaginação das paradas” conclui Tércia Gualberto.

 

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Poema de Fim de Semana: Mascarados

mascaras-fundo-vermelho2Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Outrora, pausa para delírio,
Fantasia de que?
Pierrô, colombina, pirata…
‘Mais de mil palhaços no salão’…

Agora, os foliões da grana pública;
Fanfarrões, baladas de políticos;
Fachadas de homens públicos;
Saudosos palhaços de palanques.

Fantasmas no escurinho das grades;
Dançarinos de tornozeleiras;
O baile dos foros privilegiados;
E o frevo premiado das delações.

O povo, uma vez ao ano, blocos de sujos,
Ou suar a camisa o ano inteiro
Para ser passista em fevereiro,
Dar tudo de si para a glória de uma escola.

Estranho samba-enredo de nação,
De dezembro a janeiro, a batalha do pão.
Finalmente, hora de se esbaldar da folia:
Rei, rainha, pierrô, colombina, bufão.

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Luta de Honestino Guimarães contra a ditadura vira livro

Honestino detido na Universidade de Brasília- ele presidiu a UNE em 1971, ano em que a entidade era clandestina. Foto Arquivo, CB, D.A. Press.

Honestino detido na Universidade de Brasília- ele presidiu a UNE em 1971, ano em que a entidade era clandestina. Foto Arquivo, CB-D.A. Press.

Editora UnB lança o livro Paixão de Honestino, de Betty Almeida, que relata a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães, em sua luta por democracia e em defesa do povo oprimido.

Por Inês Ulhôa

A história e a memória se entrelaçam e se complementam nesta obra biográfica de um dos mais importantes líderes estudantis que o Brasil já conheceu: Honestino Guimarães. Betty Almeida, a autora de “Paixão de Honestino”, o conheceu bem de perto, com ele lutou contra a opressão naqueles tempos sombrios. Com ele também conviveu, mesmo depois do seu desaparecimento, ao fazer a sua pesquisa para este livro ao conhecê-lo tão de perto nas rememorações de sua mãe, de seus irmãos, de sua filha, de suas ex-mulheres e de tantos companheiros de luta, além dos arquivos em que foi buscar fontes oficiais para traçar esse relato histórico tão primoroso e fiel aos acontecimentos que marcaram a trajetória desse militante que se destacou desde o início por sua combativa intervenção no movimento estudantil e se designou a ser protagonista de uma luta histórica e heroica.

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Na luta pela resistência à repressão e à tirania na Universidade de Brasília durante o período do regime militar no Brasil, mais conhecido como os anos de chumbo, que se estendeu de 1964 a 1985, Honestino Guimarães, que não viveu o suficiente para ver a derrocada do regime que ele tanto combateu, foi um líder inconteste. A autora recupera a trajetória do militante libertário e traz aos leitores de hoje a reflexão do que essa memória pode significar nos dias atuais para os que ainda lutam por liberdade e por uma sociedade menos injusta e desigual.

img-20170224-wa0162“Paixão de Honestino” distingue-se da grande maioria dos livros dedicados a biografias por se propor a trazer à discussão elementos da memória e da “desmemória” brasileira em relação aos anos de chumbo não como uma concepção linear do tempo, mas de como esse tempo (de triste memória) pode nos conduzir à intensidade da história vivida por Honestino Guimarães e por muitos de seus companheiros de luta dentro do movimento estudantil, que atribuíram a si um papel histórico na esperança de transformação da triste realidade em que o país estava mergulhado. Parece que a autora foi coerente com a ideia benjaminiana[1] de que o tempo não é espacializado e percebido quantitativamente, mas com a percepção qualitativa desse tempo. Betty Almeida nos passa a sensação de que o interesse pelo passado histórico pode guardar as marcas das lutas atuais, na perspectiva de que “ninguém se esqueça, sobretudo, de que os passos ainda trôpegos com que avançamos hoje para o futuro seguem a trilha que ele e outros de sua têmpera ajudaram a abrir”.

As relações entre os estudantes e a administração da Universidade naquele período jamais foram serenas. As tensões eram constantes, com as obsessivas perseguições e invasões de tropas policiais no campus. Os estudantes sabiam que essa não era uma luta fácil e que poderiam até perder a vida tal a disposição das forças repressivas. Mas mesmo assim lutaram. Entre as instituições visadas pelo governo militar, a UnB foi uma das mais perseguidas exatamente por ter entre seus estudantes grandes lideranças e passou a ser vista como parte de um movimento nacional pela desestabilização do regime.

E foi nesse ambiente que se forjaram concepções de mundo e de ideologia, que eram amplamente debatidas e que despertaram nos jovens o sentimento da brasilidade revolucionária amparada nos exemplos da revolução cubana e nos ensinamentos de Che Guevara. A essas utopias transformadoras seguiram-se o caminho para a resistência nas manifestações de rua e nas greves estudantis. Muitos dos fundamentos históricos e sociais do movimento estudantil e do período em que durou o golpe estão contidos na narrativa de Betty Almeida. Ideias radicais despontavam entre a juventude mais combativa. Honestino Guimarães se manteve firme em seus princípios; lutava pela democratização do país, mas não queria a luta armada.

Honestino nunca quis a violência, mas foi sua principal vítima. Preso inúmeras vezes, amargou inquéritos que lhe impingiram 25 anos de prisão. Sem alternativa, entrou para a clandestinidade. Sabia que seu destino estava traçado, mesmo assim, fiel a seus ideais, foi um resistente a se exilar, “para não deixar de cumprir seu papel na História e, sobretudo, para não abandonar os que ficaram”.

Hannah Arendt afirmava que a vida humana, “na medida em que se empenha ativamente em fazer algo, tem raízes permanentes num mundo de homens ou de coisas feitas pelos homens, um mundo que ela jamais abandona ou chega a transcender completamente” – é assim que é possível enxergar o percurso de Honestino na Terra. Sua história é feita de muitas histórias entrelaçadas com seus familiares e seus companheiros de luta, fazendo surgir um sentido libertário que se contrapunha às formas totalitárias de poder, com a esperança e a crença na transformação do mundo. E foi por essa crença que ele lutou. E perdeu a vida. Até hoje não se sabe como. Desapareceu em 10 de outubro de 1973 e levou consigo a sua certeza de não aceitar a condição de oprimido e ter como perspectiva o direito à liberdade e à cidadania.

Maria Rosa, sua mãe, se revelou uma mulher totalmente investida de um amor profundo e desmedido em sua busca desesperada pelo filho desaparecido. Bateu em todas as portas possíveis na tentativa de obter respostas. Ouviu até promessas de visita ao filho na cadeia… Em vão. A ela coube apenas as lembranças de um filho determinado a lutar até a morte por suas convicções tão conhecidas  e presentes nele desde sempre, como está dito em um poema escrito aos dezoito anos, em que diz: “Eu construo a verdade do mundo/ e a busco na igualdade de todos/ e na liberdade do homem./ Pois eu construo a festa/ cantando e lutando por um mundo liberto e igual/ pelo mundo que vai chegar/ com a manhã mais bela que as manhãs todas, / com a festa dos homens livres. E eu luto pela festa do mundo.”

[1] Na concepção histórica de Walter Benjamim, o historicismo é bastante criticado, já que o tempo é concebido como linear e espacialmente dividido, pois “articular historicamente o passado não significa conhecê-lo, como ele de fato o foi”. Para Benjamin, a perspectiva histórica é o materialismo histórico, que é oposto ao historicismo. A história a ser contada deve levar em conta a importância do historiador na reconstrução do fenômeno estudado. Como o materialismo histórico, sob o ponto de vista de Benjamim, não celebra os documentos da cultura ditos oficiais – a cultura dominante dos “vencedores” –, o historiador deve “escovar a história a contrapelo”, com atenção para as vozes do passado (BENJAMIN, 1994, pp. 224, 225).
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Mobilidade: Transporte gratuito vira sacrifício para idosos

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Idosos são obrigados a fazer de pé longas viagens. Foto de Antonio Sabino

Passe-livre dos idosos: 
Cancelamento dos cartões de gratuidade nos ônibus coletivos do DF causa transtornos a usuários da 3ª idade

Por Valdecy Rodrigues, publicado originalmente no Brasília Capital

As pessoas com mais de 65 anos que usufruem do transporte coletivo gratuito no Distrito Federal estão tendo enorme desconforto depois que o governo cancelou os cartões deles, no início do mês passado. Como não podem passar na roleta, restam apenas quatro bancos na parte dianteira do ônibus. Os poucos lugares disponíveis gera superlotação em volta do motorista.

Sem os cartões emitidos pelo DFTrans, fica valendo as carteiras de identidade para garantia de ocupação do pouco espaço que sobrou. As disputas são inevitáveis. “Quase todo dia, vemos briga. Uns querem convencer os outros que ‘são mais velhos’. E gente de idade não tem muita paciência”, relata o motorista Paulo Célio Ribeiro, com dez anos de profissão, atualmente numa linha que liga Plano Piloto ao Paranoá.

Raridade – Hussein Ibrahim, 72 anos, não tem paciência para a concorrência. Quinta-feira (16), aconteceu do jeito que ele descreveu. Pagou sua passagem e foi sentar-se, normalmente, na Rodoviária do Plano, com destino ao Paranoá. “Não aguento ficar em pé. Sempre tem mais gente do que banco. Há velhos que sentam no chão do ônibus”, narrou.

Olga Maria Alves, 72 anos, descreveu situação semelhante, também na Rodoviária do Plano, à espera da condução para Planaltina. “Vai apertado, mais vai. Antes era melhor porque a gente passava para trás”, lembrou.

Vicente Aragão Muniz, 75 anos, segue o mesmo roteiro entre Taguatinga, Plano e Paranoá. “Vejo muitos idosos em pé todos os dias”, dissse.

Constatação – O que os entrevistados contaram foi constatado pelo semanário Brasília Capital durante embarque de idosos para várias localidades do DF, na quinta-feira. A aposentada Waldemira de Oliveira dos Santos, 79 anos, com dor na coluna, deixou de embarcar porque as quatro poltronas já estavam ocupadas. Moradora em condomínio de Sobradinho, ela preferiu esperar o próximo horário.

O desconforto é maior ainda porque as quatro poltronas são destinadas também a grávidas, pais com crianças de colo, deficientes e obesos. O GDF informou que o cancelamento foi por causa de irregularidades. Havia pessoas vendendo ou emprestando o cartão, que é intransferível. O DFTrans pretende fazer o recadastramento dos idosos, fornecendo novos cartões, até o final deste ano.

Modernização – O secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, argumentou que será necessária a modernização, quando houve o cancelamento dos cartões. Ele contou que haverá um sistema que permitirá que o usuário do benefício seja fotografado quando passar pela catraca. Então, haverá o processamento da imagem, mostrando aos controladores se quem está usando o cartão é mesmo quem foi cadastrado.

Na ocasião, a presidente da Associação dos Idosos de Taguatinga, Lourdes da Silva Severino, afirmou que a culpa não é dos beneficiados, prejudicados desde janeiro. Ele disse que o governo precisa aperfeiçoar os cartões para evitar as fraudes e que “a fiscalização tem que melhorar muito.

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Urbanismo: PPCUB – Mais um desgaste para Rollemberg?

vista-aerea-de-brasilia-foto-chico-santanna-9-closeTexto e fotos por Chico Sant’Anna 

Já se passaram mais de três anos, mas a novela do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília – PPCUB volta ao cartaz. Desta vez, estrelando Rodrigo Rollemberg e Thiago de Andrade nos papéis anteriormente desempenhados por Agnelo Queiroz e Geraldo Magela.

O PPCUB, para quem não se lembra, deve ser aprovado em forma de Lei Complementar e tem como missão preservar a proposta urbanística de Lúcio Costa para Brasília. Na versão petista, a leitura feita pela sociedade civil era exatamente o inverso. O texto previa o loteamento da área central do Eixo Monumental entre o Memorial JK e a EPIA, criação de lote de 85.000 m² na quadra 901 norte, edifícios residenciais nas quadras 900, ao longo das Avenidas W.5; previsão de que os hotéis de três andares, existentes nos setores Hoteleiros Sul e Norte, pudessem ser demolidos para dar lugar a prédios de até 10 pavimentos e que diversos clubes na orla do Lago se tornassem hotéis, na prática tornando-os em condomínios residenciais. No Setor de Garagens Oficiais (SGO), ao lado do Palácio do Buriti, previa-se a revisão do parcelamento do solo e a privatização de, praticamente, duas centenas de lotes destinados a escolas públicas nas Superquadras e Entrequadras, dentre outras medidas.

Sobre os projetos de natureza urbanísticas do atual governo, leia também:

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Na versão petista do PPCUB, o canteiro central do Eixo Monumental, na sua parte oeste, poderia ser parcelada em lotes. No atual governo ainda não foi informado se a proposta continua ou não. Foto de Chico Sant’Anna.

Moção:

A versão Rollemberg não é detalhadamente conhecida até agora, pois “apenas a parte conceitual do PPCUB (princípios, objetivos, diretrizes) foi discutida com a sociedade ao longo de 2016:” – informa a arquiteta Vera Ramos, presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, IHG-DF

Uma moção subscrita por seis entidades tradicionalmente defensoras da preservação de Brasília e de sua condição de Patrimônio Histórico da Humanidade questiona a dualidade das ações do GDF. “Se de um lado o GDF se propõe a elaborar um novo PPCUB, fundamentado na preservação e não na alteração do Conjunto Urbanístico de Brasília, de outro, age de forma conflitante com essa pretendida postura, na medida em que, paralelamente, implementa, sem o devido critério, projetos e intervenções que impactam diretamente a área tombada. Destacamos a nova regulamentação dos puxadinhos, projeto Orla Livre e intervenções viárias na ponta da Asa Norte sem a devida compatibilização com o tombamento, Cidade Aeroportuária e muitas Parcerias Público-Privadas (PPP), como as que tratam do Parque da Cidade, Autódromo, Centro de Convenções e do projeto da Via Interbairros” – diz a moção.

Veja as vídeo-entrevistas:

Normas conflitantes

As entidades estão igualmente preocupadas com a Portaria nº 166/2016 do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Ela “introduz alterações nocivas e conflitantes” com outras legislações, em especial o Decreto 10.829/1987, que disciplina a preservação da concepção urbanística de Brasília. As entidades, inclusive, já acionaram o Ministério Público na expectativa de ver a Justiça revogar a portaria.

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IHG-DF, Frente Comunitária do Sítio Histórico de Brasília e do DF, Urbanistas Por Brasília, Conselho Internacional de Monumentos e Sítios e Conselhos Comunitários da Asa Sul e Asa Norte não concordam com trabalhar a partir de um documento fundamentado no conceito de alterar, modificar, afrontar o Conjunto Urbanístico. Assim, “não cabe revisar, mas elaborar novo PPCUB”, fundamentado em conceitos de preservação e de resgate dos aspectos essenciais do Conjunto Urbanístico de Brasília.”

Recomendam que a legislação viabilize o resgate da função do centro urbano da cidade conforme o plano de Lucio Costa, por meio da integração, qualificação e valorização da área central do Plano Piloto. Para elas, as áreas livres e áreas verdes devem ser preservadas, pois não são áreas ociosas, como visualiza a proposta do GDF. Elas foram assim previstas para diferenciar a qualidade de vida de Brasília.

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant'Anna, no semanário Brasília Capital.

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna, no semanário Brasília Capital.

Flexibilização

O GDF propõe a flexibilização da setorização prevista por Lúcio Costa, de forma genérica e omite restrições estabelecidas pela legislação vigente. As entidades querem o resgate do documento Brasília Revisitada. Acreditam que o termo “flexibilização”, sem especificar do que se trata, dá margens a várias interpretações.

Embate com a base

Até agora, esse foi só o embate conceitual. As questões deverão esquentar quando e se o GDF vier a propor o que o mercado imobiliário aguarda. Medidas como a destinação da Quadra 901 da Asa Norte, o uso dos lotes de clubes do Lago Paranoá para outros fins, as quadras 500 do Sudoeste, dentre outros.

Resta saber se a atual administração irá repetir as propostas petistas que ajudaram a não reeleger Agnelo. Se isto vier a acontecer, Rollemberg contrariará o que foi a sua principal base eleitoral, em 2014, o Plano Piloto. Na Asa Sul, recebeu 77,6% dos votos e, na Norte, 53,4%.

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Poema de Fim de Semana: Crise?

2-rendondezas-de-jericoaquara-55Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Variadas febres,
Desde um torpor astral
À ignorância auriverde,
Que fulmina símios
E extingue criaturas urbanas.

Orai por nossos reservatórios,
Restos e restingas.
Até mesmo o orvalho
Exauriu-se na última lágrima
Para a saliva dos ruminantes.

Inversão de faunas.
As urbanas, no disfarce das cifras;
As silvestres, no faro de um leito
Para enrodilhar do pânico
As últimas crias.

Por todos os lados a lenda,
Refrão dos arautos.
Conjuntura sem memória,
Desde que há História
E moldes de contar.

Homens, são essas

Rapinas do povo?
Propinas olímpicas,
Lavagem de diamantes,
Coliseus inconclusos.

Não é fácil suprir
De rubor as faces,
Nem mesmo quando delatam
Sob juras de caráter
A pureza da verdade.

Reles a política de titica
Que recheia cérebros daninhos,
Ocupados em urdir aparências,
Blindagem de máscaras,
Estranho carnaval de época.

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Rock: Sindicato dos Jornalistas abre espaços para bandas do DF

banda-de-rock-no-sindicatoBandas de Rock formadas por Jornalistas movimentaram  o 1º Festival de Música do SJP-DF

 

Em tempos de espaços culturais públicos fechados, como são os casos do Teatro Nacional e do Espaço Cultural Renato Russo, o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal resolveu inovar e abriu as suas instalações para o rock da capital. O ritmo é patrimônio musical dos brasilienses

Desta forma, o começo de ano não será só do samba e frevo. Nos dias 17 e 18 de fevereiro, aconteceu o primeiro festival de música do Sindicato dos Jornalistas do DF. Dez bandas de rock da capital federal, formadas por profissionais de Comunicação abalaram as estruturas do Setor de Industrias Gráficas – SIG.

O coordenador de Cultura do sindicato, Alan Marques, afirma que a iniciativa é resgatar a tradição festiva da categoria e promover as bandas locais. “Nossa ideia é que o espaço do Sindicato seja novamente uma referência para cultura do DF”, diz Alan.

Confira o line-up do Festival:

Na sexta, dia 17, tocaram os Intokáveis, Eufohria, Zumbido, K-Libre e Maria Sabina e a Pêia
e no sábado, dia 18: JMB, Metalomania, Banda Rock Brasília, Coloonia e Sapiens

 

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GDF: sai a escala de feriados e pontos facultativos do ano

5-guajiru-ce-dez-2013-48-closeAnote na sua agenda. Já saiu a relação oficial de feriados e pontos facultativos que serão aplicados no Distrito Federal em 2017. Se você é servidor público do governo do GDF ou depende dele para os mais diversos serviços, tais como Saúde, Educação, retirada de documentos, dentre outros é bom saber que as repartições públicas, escolas e unidades de saúde – exceto emergências – não funcionarão em quatorze dias desse ano.

São oito feriados nacionais, dois feriados locais (sendo que um, o do aniversário de Brasília coincide com o feriado nacional do Dia de Tiradentes) e cinco pontos facultativos. Neste último caso, caberá aos dirigentes dos órgãos e entidades a preservação e o funcionamento dos serviços essenciais afetos às respectivas áreas de competência.

Leia também:

A relação de dias em que o trabalho será dispensado foi publicada por meio do decreto n° 38.011, de 16 de fevereiro de 2017. As folgas valem para órgãos da Administração Direta, Autárquica e Fundacional do Distrito Federal. A dispensa do ponto na Quarta-feira de Cinzas vale somente até às 14 horas.

A relação dos feriados e pontos facultativos é a seguinte:

I – 27 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo);

II – 28 de fevereiro, Carnaval (ponto facultativo);

III – 1º de março, Quarta-Feira de Cinzas (ponto facultativo até às 14 horas);

IV – 14 de abril, Paixão de Cristo (feriado nacional);

V – 21 de abril, Aniversário de Brasília e Tiradentes (feriado local e nacional);

VI – 1º de maio, Dia Mundial do Trabalho (feriado nacional);

VII – 15 de junho, Corpus Christi (ponto facultativo)

VIII – 7 de setembro, Independência do Brasil (feriado nacional);

IX – 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil (feriado nacional);

X – 28 de outubro, Dia do Servidor Público – art. 278, da Lei Complementar nº 840, de 23 de dezembro de 2011 (ponto facultativo);

XI – 2 de novembro, Finados (feriado nacional);

XII – 15 de novembro, Proclamação da República (feriado nacional);

XIII – 30 de novembro, Dia do Evangélico (feriado local); e

XIV – 25 de dezembro, Natal (feriado nacional).

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Economize nas férias: suspenda a internet e TV paga antes de viajar

controle-remotoPor Chico Sant’Anna

A prática é mais comum com os assinantes de jornal. Vai viajar, para não ficar aquela quantidade enorme de jornais acumulando na caixa do correio ou mesmo na porta de casa, se pede para que a empresa jornalística suspenda a entrega dos jornais. Aqueles dias não recebidos são acrescidos no prazo de contrato da assinatura, postergando-o. Mas em tempos de internet, o mesmo pode ser feito com o provedor da Internet de banda larga, telefonia fixa, móvel, e mesmo da TV por assinatura.

Quem explica é a advogada Élida Pereira Jeronimo, em artigo no portal JusBrasil. Segundo ela, se o assinante vai viajar, ele tem o direito de suspender uma vez a cada a cada 12 meses todos esses serviços. A interrupção pode ser de no mínimo 30 dias e máximo, 120 dias. Durante esse período, o consumidor não precisa pagar os serviços suspensos e a empresa tem um prazo de 24 horas para atender o pedido de bloqueio.
Então, na próxima viagem, programe-se e solicite a suspensão e a respectiva fatura no período de suas férias. Assim, você pode até gastar um pouquinho mais.

Descontos

Mas se o problema do assinante for a  interrupção do serviço contratado, seja por falha técnica ou outro problema de responsabilidade da empresa provedora, atenção! Se o serviço interrompido durar mais de 30 minutos no mês, de forma contínua ou não, esse não funcionamento deve ser compensado pela empresa por meio de abatimento ou de ressarcimento correspondente ao período de interrupção. O ressarcimento não será feito em casos de manutenções preventivas de rede, desde que a prestadora avise ao assinante sobre a data e a hora da interrupção com, pelo menos, três dias de antecedência.

Ficam ai as dicas para economizar

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Poema no meio da semana: Caminho

flor-branca-jardim-1Por Ana Rossi

Estar no presente
com a consciência do passado
a vida segue o seu rumo
e nós, também, seguimos o nosso
 

Estarmos no presente
vivermos as mudanças
ter plena consciência delas
aceitar o que vai embora
 

Estar no presente
acolher do passado
aquilo que deve ir embora
visualizar o que mudou
 

Estarmos no presente
traçando nossa vida
imagem perene
de nossa vida transitória

Estar no presente

aceitando o que deve ser

na plenitude da noite

na clara iluminação do dia

Ser e estar e deixar ir

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