Votos em branco e nulo não anulam eleição. Vão pra lata do lixo.

urna-eletronicaPor Chico Sant’Anna

As eleições municipais no Brasil acontecem domingo dia 2 de outubro. Muitos eleitores, descontentes com o cenário político do Brasil, pretendem protestar votando em branco ou anulando o voto. Ou simplesmente não indo votar. Acreditam que se for grande o volume desse comportamento, que eu chamo de não voto, as eleições serão anuladas.
Ledo engano.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tanto os votos brancos quanto os nulos não são considerados válidos. Isso quer dizer que estes tipos de votos não contam na apuração das eleições e nem são contabilizados para o candidato que está ganhando. Vão direto pra lata do lixo.

Para os cálculos eleitorais, são considerados válidos apenas os votos nominais e os de legenda. A contagem dos votos de uma eleição está prevista na Constituição Federal de 1988, que determina que “é eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, excluídos os brancos e os nulos”.

Desta forma, quem deixa de votar ou anula seu voto está favorecendo o candidato que está à frente das pesquisas, principalmente nas grandes cidades, onde há a necessidade de segundo turno, caso um candidato não obtenha a maioria dos votos.

A conta é simples. Imagine uma cidade com 200 mil eleitores. Para vencer no primeiro turno, o candidato precisa de 50% dos votos válidos, mais um. Se todos os eleitores votarem normalmente, serão necessários 100.001 votos. Mas se nesta cidade, entre votos brancos, nulos e abstenções, 30 mil pessoas deixarem de votar. Para vencer a eleições em primeiro turno serão necessários apenas 85.001 votos. Então, na prática, quem é contra à realidade política partidária nacional precisa encontrar um candidato que represente seu ponto de vista votar nele e batalhar para que ele seja eleito. Do contrário, abstenções e votos branco e nulos nada alteram.

Vereadores

Esse raciocínio também vale para os candidatos proporcionais: vereadores nessas eleições e deputados estaduais e federais, nas próximas. Quanto menor for o volume de votos validos, menor será o coeficiente eleitoral necessário para se eleger um candidato. Coeficiente eleitoral é o total de votos validos divididos pelo total de vagas a serem preenchidas no legislativo, seja ele municipal, estadual ou federal. No Distrito Federal, por exemplo, nas eleições de 2014, o coeficiente eleitoral esteve girando na casa de 63 mil votos. Mesmo que um candidato seja o campeão de votos em sua cidade, mas seu partido não atingir o coeficiente eleitoral, ele não será considerado eleito.

Voto em branco – De acordo com o Glossário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Antigamente, o voto branco era considerado válido e contabilizado para o candidato vencedor, como se o eleitor se declarasse satisfeito com qualquer candidato que vencesse as eleições. Isso mudou, agora não vale mais nada.

Voto nulo – O voto nulo, aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto como manifestação de protesto, não invalida a eleição, mesmo que mais de 50% dos eleitores votem desta forma. De acordo com informações do TSE, os votos nulos podem sim interferir no resultado da eleição, já que quando um eleitor vota desta forma, o candidato com mais votos fica mais perto de vencer a eleição no primeiro turno. Assim, quanto mais votos nulos ou brancos, menos votos válidos um candidato precisará para atingir mais de 50% dos votos e ser eleito.

Eleição majoritária e eleição proporcional – Enquanto os prefeitos são escolhidos por meio da eleição majoritária, os vereadores são eleitos pelo critério proporcional. No primeiro sistema, nas grandes cidades, com mais de 200 mil eleitores, o candidato precisa alcançar a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, 50% dos votos mais um – caso isso não aconteça, a disputa é definida no segundo turno entre os dois candidatos mais votados. No entanto, na eleição majoritária o segundo turno só ocorre em cidades com mais de 200 mil eleitores, conforme determinado no artigo 29 da Constituição Federal. Nas eleições proporcionais é permitido votar diretamente no candidato ou em algum partido. Assim, as vagas ao cargo de vereador são distribuídas de acordo com o número de votos recebidos por cada partido.

Data e horário da votação – De acordo com a Lei 9.504, de 30.09.1997, o primeiro turno das eleições deve ocorrer no primeiro domingo do mês de outubro do ano eleitoral, e o segundo turno no último domingo de outubro, que em 2016 serão nos dias 2 e 30 de outubro, respectivamente. A votação terá início às 8 horas e se estenderá até as 17 horas, sem intervalo.

Para mais informações acesse o Guia do Eleitor, do TSE.

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Poema no meio da semana: No alento do sopro

hibiscusPor Ana Rossi

No alento do sopro
sopro e meio
sopro dormido
sopro sentido
e depois de todos os sopros
aprendo
enfim
a RESPIRAR

No alento do sono
sono e meio
sono derradeiro
aquele que não tem jeito
de deixar para lá
sono sentido
e depois de todos os sonos
aprendo
enfim
a DESCANSAR

No alento da fusão
fusão e meia
fusão adormecida
fusão sentida
e depois de toda fusão
aprendo
enfim
a ME AMAR

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Eleições municipais: Rollemberg além-fronteiras

armando-neto-adesivo-vice-prefeitoPor Chico Sant’Anna

Estima-se que a chamada Região do Entorno do Distrito Federal abrigue cerca de 1,5 milhão de pessoas que dependem direta ou indiretamente de Brasília. São pessoas que moram nas cidades goianas e mineiras e trabalham, estudam, usufruem dos serviços de Saúde da Capital Federal. Embora seja até proibido, há mesmo um fluxo importante de pessoas que migram seus títulos de eleitores de dois em dois anos, transferindo-os para as cidades do Entorno quando da realização de eleições municipais e voltando a Brasília, por ocasião das eleições gerais.

Por isso, mesmo com a dificuldade política que enfrenta no DF, a família do governador Rodrigo Rollemberg se faz presente ativamente nas eleições do Entorno.

armando-neto-ficha-treEm Alexânia, um sobrinho do governador, Armando Rollemberg, é candidato a vice-prefeito na coligação PSB-Rede-PPS-PMB. O verdadeiro nome do sobrinho é Armando Rollemberg Neto. Em 2012, ele já havia sido candidato. Na época, a retirada do agnome Neto, gerou trauma familiar. Armando Rollemberg é o nome do irmão mais velho do governador. Militante com história na cidade, o ex-dirigente sindical e jornalista foi um dos fundadores do PT-DF. Depois, mudou-se para ajudar a construir o PSB candango.

O sobrinho tem agora a primazia de usar politicamente a denominação. Caso os dois venham a ser um dia candidatos em um mesmo pleito, o direito de uso do nome será do sobrinho e não do tio. Em 2012, o tio Armando Rollemberg, chateado com o fato, desfiliou-se do PSB e migrou para o PDT.

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Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant'Anna do semanário Brasília Capital

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna do semanário Brasília Capital

Cristalina

Em Cristalina também se nota a presença Rollemberg no pleito. Quem está nas manchetes locais é a filha de Rodrigo Rollemberg. A advogada Gabriela Rollemberg defendeu o presidente da câmara municipal, Rosivaldo Pelota (PSB), afastado do cargo junto com outros vereadores, por suspeita de compra de votos para presidir aquela Casa.

O êxito de Gabriela Rollemberg foi uma das últimas decisões tomada por Ricardo Lewandoswki, ainda na presidência do STF. Ele determinou o retorno de Pelota ao exercício do mandato de vereador e ao cargo de presidente da Câmara Municipal.

O escritório Gabriela Rollemberg Advocacia também representa o vereador Daniel do Sindicato (PSB), candidato a prefeito de Cristalina. Recentemente, ele e Pelota obtiveram decisão judicial favorável interditando a circulação no whatsapp de uma falsa reportagem. A mensagem, que seria uma montagem se valendo da identidade visual do portal G1, afirmava que os dois haviam praticado caixa dois com recursos do esquema de corrupção na Petrobras desvendado pela operação Lava-jato.

O jornal Gazeta Cristal, daquele município goiano, afirma ainda que Gabriela busca influir nas eleições municipais tentando impugnar a candidatura a prefeito de Gildomar Gonçalves Ribeiro, do PMN. Ele já foi prefeito de Cristalina e é citado pelo fazendeiro Morelos Vasquez, acusado de ser o mandante do crime que matou o desembargador Irajá Pimentel em 2002. Ele teria sido pivô de uma contestada transferência de 600 hectares de uma fazenda em Goiás que teve sua propriedade transferida da família de Morelos para Irajá Pimentel.

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Poema de Fim de Semana: Sete Caprichos do Mundo

ciclovia-com-folhas-secasPor Luiz Martins. Foto de Cecília Sant’Anna

I
Não adiantam caminhos
Com olhos de regra e régua
Horizontes a percorrer.

II
O céu não seja o limite
Quando o amor nos surpreende
Vindo junto com o juízo.

III
A cidade não é nossa,
Por mais nativo o cão
E o aviso que não morde.

IV
Mistério, o amor dos bichos.
Quando já iam ser mortos,
Eis que nos lambem o nariz.

V
Por mais que presto o golpe,
Justiça não vem a galope,
Deus não sobra impaciência.

VI
Não se sabe quando molha.
Mas, que não desista da ara.
Com fé, até no deserto.

VII
Não se aprende pela força.
Ao amor ninguém se obriga.
Gratidão, esconde-esconde.

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Insegurança em alta: DF tem 120 furtos por dia

revolver-closePor Chico Sant’Anna

 

Os números não mentem. A insegurança que a sociedade de Brasília sente é real.
Nos primeiros 20 dias de setembro, o DF registrou 2.416 furtos, nas diferentes modalidades. Uma média de 120 por dia.

Comparando-se ao mesmo período de 2015, o volume de furtos no Distrito Federal cresceu mais de sete vezes: aumento de 689%. E o mais grave, a capacidade da estrutura em segurança pública em evitar tais ocorrências se revela mais precária. Caiu em quase 86% a quantidade de flagrantes, que é quando o criminoso é identificado e preso em até 24 horas após o crime cometido.

Do total de furtos registrados nos primeiros vinte dias de setembro desse ano, 384 foram de veículos, ou seja, 19,2 carros ou motos por dia, quase um por hora. A cada 24 horas, há 36 furtos no interior de veículos e, praticamente, três bicicletas são roubadas. A cada hora uma casa foi furtada. Áreas tranquilas até então, como o Park Way, passaram a ser alvo predileto dos criminosos.

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant'Anna do semanário Brasília Capital

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna do semanário Brasília Capital

Percentualmente, os tipos de furtos que mais cresceram entre setembro desse ano e de 2015, foram os cometidos em transporte coletivo, 2.000%, e a pedestres, 1.253,9%. Em termos absolutos, mais de dois mil pedestres foram alvo de ladrões nos vinte primeiro dias de setembro. São 200 cidadãos sendo furtados a cada dia.

E esses dados, levantados pela Divisão de Apoio Técnico e Estratégico da Polícia Civil do DF, não incluem ocorrências mais violentas, tais como homicídio, sequestro, violência sexual, agressão física, crimes de trânsito, dentre outros.

E a resposta das autoridades é que não há estrutura, não há pessoal, não há isso, não há aquilo.

Se há falta de contingente e de recursos para contratar mais, é urgente rever a jornada de trabalho de nossos policiais: 12 horas de trabalho por 36 de folga, nos dias de hoje, chega a ser um privilégio. Ainda mais quando se sabe que na folga, que seria para diminuir o stress do perigo da profissão, muitos vão fazer bico como segurança em eventos.

Por que não unificar logo?

Há décadas, organismos internacionais, como o Conselho de Direitos Humanos da ONU, pressionam o Brasil a por fim a Polícia Militar. A corporação é vista como resquício da ditadura militar e responsável por inúmeros casos de violência a jovens pobres e negros.

Em momentos como o que Brasília passa – polícias Civil e Militar se digladiando por competências jurídicas e equiparações salarias -, ganha espaço novamente a questão. Por que o Brasil, como a maioria das democracias ocidentais não unifica suas policias? Com polícia única, além de melhor gestão na Segurança Pública e fim de impasses corporativos, traz-se-á otimização de recursos com o fim de paralelismos. No DF, onde há uma delegacia de polícia, tem um quartel da PM, onde tem um delegado, há um comandante de um batalhão. Dois prédios, viaturas em dobro, máquina burocrática em dobro e eficiência pela metade.

 

 

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Brasília teria um segundo lago, maior que o Paranoá

mapa-lago-sao-bartolomeuPor Hélio Doyle, publicado originalmente no Jornal de Brasília.

 

Poucos em Brasília devem se lembrar que nos primeiros mapas do Distrito Federal havia uma grande área, delimitada por linha pontilhada, informando onde seria o futuro Lago São Bartolomeu, três vezes maior do que o Lago Paranoá, que tem 40 quilômetros quadrados.

O Lago São Bartolomeu iria de Planaltina a São Sebastião e chegaria, ao sul, quase aos limites com Goiás. Se tivesse sido construído, haveria maior captação de água a pouca distância de áreas urbanas e zonas rurais, possibilidade de ampliar a produção de energia com uma barragem de 25 metros de altura, ligação aquaviária entre regiões distantes, pesca profissional e mais opções de lazer para a população. E os efeitos da seca, com tão extenso espelho d´água, seriam menores.

Os que inviabilizaram o Lago São Bartolomeu têm grande responsabilidade pela crítica situação hídrica de Brasília – não só por não existir o lago, mas também por contribuírem decisivamente para os danos ambientais que exterminaram e reduziram as nascentes em uma ampla área do Distrito Federal.

Ocupações no lugar do São Bartolomeu

 O que impediu a construção do segundo lago foram as invasões de terras públicas e os loteamentos ilegais em terras particulares que deram origem a condomínios e expansões urbanas não planejadas. Sempre com a conivência danosa de sucessivos governantes, de parlamentares e de desembargadores e juízes.

As ocupações ilegais começaram na década de 1970, quando Brasília tinha governadores nomeados e nenhuma representação política. Foram aceleradas nos anos 1980, com forte proteção de autoridades, e se consolidaram nos anos 1990, quando grileiros, invasores e compradores tidos como de “boa fé” — muitos, porém, sabendo que estavam cometendo ilegalidades – passaram a contar com a proteção de governadores e deputados eleitos.

Proteção que continua até hoje.

APA não impediu as invasões

O projeto do Lago São Bartolomeu vem desde a construção de Brasília, mas a área da bacia do Rio São Bartolomeu começou a ser invadida nos anos 1970 em três frentes: em Planaltina, na região do Vale do Amanhecer; em São Sebastião, com a expansão da vila; e no Lago Sul com os condomínios de classe média, a partir do Quintas da Alvorada.

Para tentar impedir a ocupação desenfreada e possibilitar a construção do lago artificial, em 1983 foi criada a Área de Proteção Ambiental do São Bartolomeu. Só em 1988, porém, foi concluído o zoneamento ambiental da APA, que já tinha cerca de 20 mil moradores dentro de seus limites. Em 1985 existiam 90 condomínios irregulares na área.

E na década de 1980 o governador ainda não era eleito e não existia Câmara Legislativa. Os interesses não eram eleitoreiros.

Demagogia e interesses financeiros

A situação se agravou depois que o Distrito Federal passou a ter eleições e a definição da política urbana foi guiada por critérios eleitoreiros e demagógicos e visando favorecer a especulação imobiliária. Para ser ter uma ideia, em 1991 o próprio governo de Brasília criou a cidade de São Sebastião, que tinha menos de 8 mil moradores, na APA do São Bartolomeu.

Na verdade, o novo lago já estava inviabilizado pelas ocupações irregulares e parcelamentos ilegais de terras particulares. Diversas nascentes e cursos de rios na região estavam sendo soterrados e poluídos pelos condomínios e expansões do Altiplano, do Jardim Botânico, de São Sebastião e de Planaltina.

Além disso, parecia mais interessante financeiramente, para alguns, a construção de um lago em Goiás, na Bacia do Rio Corumbá.

Quintas é precursor das ilegalidades

O condomínio Quintas da Alvorada, tão defendido hoje por deputados distritais, é o pioneiro dos loteamentos ilegais destinados à classe média. Em 1977, diante das dúvidas quanto à legalidade do registro do imóvel levantadas pela procuradoria-geral do DF, o Tribunal de Justiça deu ganho de causa aos loteadores e abriu precedente para novas irregularidades.

A partir daí novos condomínios ilegais proliferaram na região que vai da barragem do Paranoá até São Sebastião e inviabilizaram de vez a construção do Lago São Bartolomeu, que sumiu dos mapas.

Aliás, desembargadores, juízes e tabeliães já foram punidos por cumplicidade com a grilagem e registros ilegais de terras no Distrito Federal.

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Comércio no Park Way: um debate que não cessa.

park-way-padaria-com-efeitoO Country Club (clube de campo) e o comércio, no Park Way (caminho do parque)

Por Carlos Cristo*

 

Fui convidado, ontem, 20/9, a participar numa reunião, no Country Club, para conhecer o projeto de instalação de uma área comercial, naquele clube, localizado no Park Way, próximo ao Catetinho.

Como no bilhar e talvez à moda goiano-mineira, o que é dito não é o pretendido: dá-se uma tacada numa bola, para esta atingir outra, que deverá entrar na caçapa.

A reunião teria sido convocada por uma moradora e teria como objetivo levantar demandas dos moradores para o comércio proposto. Na realidade, a reunião foi convocada a pedido do presidente do clube que, sabedor da polêmica sobre a instalação de comércio no bairro, queria avaliar a reação dos moradores à ideia. Projeto não há, apenas a ideia de destinar 30 mil metros quadrados, com acesso por uma portaria lateral, ao empreendimento, que seria concessionado a empresários.

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O levantamento da demanda não poderia ser feito ali, de forma amadorística, num universo minúsculo de moradores, escolhidos por critérios diversos.

Surpreende a ideia, que poderia ser interessante não fosse a localização do Clube, numa ponta do bairro, longe de muitos. A clientela potencial seria proveniente das quadras 26 a 29, talvez insuficiente para viabilizar um pequeno centro comercial e de serviços.

O Country poderia ser o ponto de encontro da comunidade do Park Way, com seu aprazível espaço, onde tem cachoeiras, uma hípica e uma extensa área de preservação ambiental. Mas, parece enredado numa gerontocracia que o debilita, inclusive financeiramente e afugenta até os sócios patrimoniais, que chegam a presentear os seus títulos, para escaparem das altas mensalidades. A liberação da entrada aos moradores do Park Way, para almoços, no fim de semana não chega a animar, pele baixa qualidade da gastronomia,…

Park Way

Mas o problema do Park Way vai muito além do que o Country possa propor:  há carência de comércio e de serviços, gerando a ocupação irregular e aleatória de terrenos, alguns invadidos, para atender à demanda. A Vargem Bonita é um exemplo, com comércio, oficinas mecânicas, funilaria, borracharia, igrejas, bares, supermercado, pet shop, padaria, verdureiro, …. tudo na mais absoluta irregularidade, mas com um movimento animadíssimo, proveniente das quadras 14 a 25. Ainda faltam farmácia, costureira, sapateiro, escola,….

No Park Way todas as edificações não residenciais não possuem licença. Até os prédios da Associação de Moradores e do Posto de Polícia, na quadra 14, são irregulares.

Não só na Vargem Bonita temos comércio. Quiosque, botecos, casas de festas, escola, academia ,…distribuem-se no maior bairro do Distrito Federal.

As autoridades e o legislativo são chamados a atuar e encontram as mais inflamadas resistências – pequenas mas esperneantes – de pessoas que usam argumentos insanos e fantasiosos que chegam a correlacionar comércio com prostituição e acham muito mais interessante, para o meio ambiente e para a sua “qualidade de vida” o vai-e-vem constante de viaturas, queimando litros de combustível, para comprar um band-aid, na farmácia do Núcleo Bandeirante. Contrapõem aos argumentos que citam o exemplo das ilhas de comércio do Lago Norte, ou da comparação de valores de terrenos até com os condomínios do Jardim Botânico, experiências mal sucedidas, no Guará, em contexto muito diverso.

Como disse o nosso vizinho e renomado urbanista brasileiro, Jorge Francisconi, presente à reunião: temos que enfrentar o assunto, não podemos fazer de conta que não vemos a realidade.

O autismo social tem sido, infelizmente, o maior problema deste país.

 

 

*Carlos Cristo é Arquiteto e Urbanista e morador do Park Way

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Foto do dia: Indicação para Ministério

melancia

Isso aqui é nosso.
Isso aqui eu ponho quem eu quiser,
a melancia que eu quiser aqui,
eu vou colocar.

Senador Hélio José (PMDB-DF)
04 – 08 – 2016

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Poema de fim de semana: A Sede das Águas

palmas-junho-2008-21-bPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Se somos água corrente,
Sangue, rio interior,
Por que hão de nos querer
Para si em seu regato?

Ai, de nós, os afogados
Que ficamos à soleira
Dos dias e do espanto
Da saudade não esperada!

Sim, pois quem se foi
Para o misterioso âmago
Lá, atônito e cândido,
No fundo é quem já flutua.

Para nós, o sentimento
Da perda e do vácuo.
Jamais fecharemos janela
Do impossível de não ver.

Somos desse não compreender
Do que, afinal, elementos:
Sede do ar, fogo, água
E a terra, a sete palmos.

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Brasília Maria morreu. Brasília – DF está na UTI

brasilia-mariaPor Chico Sant’Anna

 

Brasília Maria nasceu em 21 de abril de 1960. Brasília – DF também

Brasília – DF representava a nova utopia brasileira. A Capital da Esperança. Brasília Maria, ao ser batizada assim, personificou a imagem de um novo futuro para toda uma geração: a verdadeira geração Brasília.

Aos 56 anos, a filha de Brasília – DF, Brasília Maria, morreu dia 10. Morreu pobre, sem condições mesmo de custear o tratamento de sua própria saúde. Morava numa casa humilde, marcada pela impossibilidade de investir em mais conforto e qualidade de vida. Brasília Maria morreu porque a nova utopia brasileira ainda não aconteceu. Brasília Maria morreu porque Brasília-DF, aos 56 anos, está moribunda, sem capacidade de reação, quase que com falência geral dos órgãos. Dos órgãos públicos que deveriam estar funcionando pelo bem estar da população.

Brasília Maria morreu como centenas de brasilienses morrem rotineiramente. Brasília-DF não lhe assegurou internação em UTI. E Brasília Maria deixou Brasília-DF prematuramente em decorrência de parada cardiorrespiratória. A Saúde de Brasília-DF está à beira da morte, morte que Brasília Maria já foi vítima.

Brasília-DF vive os piores de seus dias. A Saúde é caso, literalmente, de polícia. A Educação não passou de ano e o boletim emitido pelo Ministério da Educação deu nota vermelha ao ensino, público e privado, da Capital Federal. Nessa realidade de Educação claudicante, Brasília-DF deixa crescer abertamente o trabalho infantil.

O meio-ambiente, assim como fez Brasília Maria, pede socorro. Mas ninguém escuta. Não há coleta seletiva de lixo. Dois, em cada três parques ambientais de Brasília-DF, só existem no papel, não estão constituídos. Faz-se necessária uma ação contundente contra os grileiros que continuam, sem qualquer vergonha, fracionando e comercializando irregularmente pedaços de Brasília-DF. A crise hídrica já é uma realidade.

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant'Anna, no semanário Brasília Capital;

Publicado originalmente na coluna Brasília, por Chico Sant’Anna, no semanário Brasília Capital.

Na Segurança Pública, polícias Civil e Militar, em vez de prender os vilões e garantir a cidade, preferem brigar entre si. Aumentam as estatísticas de criminalidade, mas Brasília-DF não consegue montar um plano de ação policial conjunta para garantir a segurança de seus filhos. Falta planejamento. Falta comando.

Na mobilidade urbana, o sofrimento não é diferente. Há mais de uma década Brasília-DF não ganha um centímetro de metrô. VLT? Esse nem falar. Resultado, ônibus e vias superlotadas e as lotações voltando descaradamente.

Brasília-DF não tem dinheiro para recuperar seus espaços culturais públicos, mas consegue verba para apoiar duvidosos projetos culturais privados à beira do Lago. Ou mesmo alugar o Mané Garrincha ao custo de R$ 0,30 o assento.

A falta de gestões competentes deixou que Brasília Maria morresse. Morreu sem amparo da Brasília-DF.

Quantas Brasília Maria precisarão morrer ainda para que essa realidade mude? Para que acabe a roubalheira e os desmandos no interior de nossa classe política? Para que tenhamos gestores mais eficientes e menos demagogos.

Quantas Brasília Maria precisarão morrer para que a profecia de Dom Bosco se concretize e Brasília-DF seja efetivamente o “berço de uma nova civilização de impressionar o mundo” e não o exemplo de uma civilização que deixa morrer seus frutos por falta de ação e incapacidade de gestão pública?

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