O relatório da Controladoria Geral da União sobre a correção dos gastos do GDF na administração de José Roberto Arruda informa ainda que o governo local comprou remédios com sobrepreço de 20% em relação a tabelas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do banco de dados do ComprasNet, o portal de compras do governo federal, e até mesmo em relação aos valores desembolsados pelos governos estaduais em compras dos mesmos produtos. Os fiscais detectaram irregularides até mesmo na compra de insulina, medicamento para diabéticos. Os supostos desvios nesta área seriam de aproximadamente R$ 22 milhões

No relatório a CGU afirma que Brasília tem um tratamento de repasses financeiros privilegiado em termos de recursos para a Educação, Segurança e Saúde, mas que os resultados são piores do que em Estados que contam com menois verbas federais. 

Na Saúde, a despesa maior que a média nacional per capita do DF em 2008 foi de R$ 1.223,32 – valor 137,5%. Contudo, ao compararmos, por exemplo, a atuação do GDF na Atenção Básica em Saúde na perspectiva da cobertura populacional dos Programas de Agentes Comunitários de Saúde – PACS e Saúde da Família – PSF  com aquela das administrações das demais unidades da federação, verificamos que o DF está bem aquém do esperável. 

Enquanto a cobertura populacional média no país em 2008 foi de 60,4% no PACS e de 49,5% no PSF, no Distrito essas coberturas, as menores da Federação, foram de 13,6% e 5,64%, respectivamente. Esses dados demonstram a  ineficiência na aplicação dos recursos financeiros e o descaso com a atenção primária em saúde – que tem como princípios basilares a  promoção, a proteção e a manutenção da saúde e a prevenção de doenças.

Ao negligenciar a Atenção Básica, a Administração Local  assumiu o risco de acarretar agravos que sobrecarregariam a rede hospitalar. E isso de fato ocorreu, conforme se constatou nas fiscalizações realizadas pela CGU.  Como se vê, o desempenho na Saúde e na Educação no Distrito Federal segue, de fato, a mesma tônica constatada na Segurança Pública, qual seja, os resultados aparentes não se coadunam com a privilegiada disponibilidade de recursos ” – ressalta o parecer.