Ceilândia: uma cidade atrás das grades

No Helena Cabelereiros, pedicure trabalha atrás das grades

Texto e fotos de Chico Sant’Anna

Ceilândia é hoje um dos principais centros populacionais do Distrito Federal. A cidade tem uma população que beira os 500 mil habitantes. Mas estes moradores são obrigados a viver atrás das grades. Na Ceilândia, o cidadão de bem tem que estar atrás das grades se quiser se proteger.

Residência ou Comércio. Não importa o ramo: pizzaria, farmácia, cabeleireiro, todo empreendedor é obrigado a trabalhar enjaulado para se proteger da criminalidade que assusta a todos.

Sorvete, pizza ou remédio, só com a proteção das barras de ferro

Quem vai fazer as unhas, comprar um remédio ou fazer um lanche no Setor P Sul tem que estar como se fosse um preso. As grades ocupam todas as fachadas, não só das residências, mas também do comércio. Nas ruas não se vê policiamento.

Os gradis não são apenas para evitar a ação de marginais no período da noite. É pra de dia mesmo. Ao longo de todo horário de trabalho eles ficam fechados. O cliente precisa aguardar que o responsável pelo estabelecimento comercial venha abrir os portões para poder entrar na loja, restaurante ou comércio.

Os chamados PCS – Postos Comunitários de Segurança só decoram a paisagem, pois os policias não saem do interior para fazer as rondas policiais.

Até o forno de pizza está enjaulado

O nome Ceilândia significa terra da CEI, da Campanha de Erradicação de Favelas. Em 1971, a cidade começou a nascer com 17.619 lotes, de 250 metros quadrados. Ela está ao Norte de Taguatinga e ocupa antigas terras da Fazenda Guariroba, de Luziânia – GO. Foi para lá que foram transferidos os moradores das invasões do IAPI; das Vilas Tenório, Esperança, Bernardo Sayão e Colombo; dos morros do Querosene e do Urubu; e Curral das Éguas e Placa das Mercedes. Localidades que já convíviam com problemas de insegurança.

A cidade já nasceu com mais de 15 mil barracos residências e mais de 80 mil moradores e era a esperança de uma vida de qualidade.

Hoje na Ceilândia falta a atenção do Estado. Os serviços de saúde não funcionam. Não há opções de lazer. Teatro, cinema, falta de tudo. A juventude se recente da falta das oportunidades de emprego e o problema das drogas assusta a todos.

Às margens da Ceilândia surgem dois novos condomínios. Os belos nomes Sol Nascente e Por do Sol não iluminam as reais dificuldades. Falta de tudo: saneamento, asfalto, iluminação adequada, segurança, captação de esgoto.

O GDF fecha os olhos às grilagens de terras e também não concede a assistência adequada aos moradores.

Até quando vamos ignorar o que se passa no Distrito Federal?

Anúncios

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Ceilândia, Desigualdade Social, GDF, Violência & Segurança Pública. Bookmark o link permanente.

3 respostas para Ceilândia: uma cidade atrás das grades

  1. Valeu Gilberto. Grato pelo alerta.

    Curtir

  2. Pingback: Brasília, uma capital gradeada no 56º aniversário | Brasília, por Chico Sant'Anna

  3. Pingback: Brasília Minha: um portal para a memória candanga | Brasília, por Chico Sant'Anna

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s