A idéia não é minha, mas achei interessante e por isso transcrevo aqui o texto de Leiliane Rebouças, uma pioneira da Vila Planalto.

 

A região que compreende a Orla do Lago Paranoá e suas adjacências possui peculiaridades muito distintas de outras áreas do Plano Piloto de Brasília e, até hoje, não recebeu a devida atenção por parte dos administradores que ocuparam a R.A-I  ( o Distrito Federal  não tem prefeitos mas, 30 administradores responsáveis por cada região administrativa ou cidade satélite. A RA I é o Plano Piloto de Brasília). No ano 2000 , alertei o Governo do Distrito Federal sobre a necessidade da criação de uma nova região administrativa, que cuide da Orla do Lago Paranoá e adjacências para que essa área possa se desenvolver adequadamente. (Protocolei uma sugestão de Projeto de Lei para criar a nova R.A e além disso, o jornal “Gazeta Mercantil” publicou 2 páginas à respeito)
A Orla do Lago Paranoá é uma região de desenvolvimento econômico e turístico de grande importância e foi alvo de um Projeto que não obteve pleno êxito. Apenas 2 dos 7 pólos do Projeto Orla foram construídos e ainda assim, sofrem duras críticas porque não são acessíveis a toda a população do DF, de acordo com o planejamento original de Lúcio Costa. É público e notório também a falta de envolvimento da população ( principal beneficiada) no Projeto Orla.
Um estudo sobre a Orla do Lago, desenvolvido pela SEDUMA ( Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente do DF ) – “Caracterização da Orla do Lago Paranoá e seu Modelo de Desenvolvimento” – mostra que diversos problemas existentes na região poderiam ter sido sanados caso houvessem criado a nova Região Administrativa quando eu sugeri há dez anos. Pois,  problemas como: ocupações irregulares, invasões de área pública, desrespeito às normas de gabarito, ausência de urbanização adequada ( falta de paradas de ônibus, iluminação, telefones públicos , transporte coletivo deficiente, etc) entre outros, aconteceram porque o Poder Público , em especial a RA I,  não teve capacidade e competência para cuidar adequadamente de toda a extensão do Plano Piloto ( que inclui a Orla) que estava sob sua responsabilidade. Nas adjacências da Orla encontra-se a Vila Planalto, que por sua localização privilegiada é protegida por um tombamento local, pelo tombamento do IPHAN e pela UNESCO. Mas, apesar de tanta proteção, o poder público se omitiu em sua preservação como Patrimônio Histórico do DF e na regularização fundiária da Vila.
Os moradores dos hotéis residência e dos condomínios próximos à orla utilizam o comércio da Vila Planalto e seus restaurantes. É imprescindível que haja uma melhora urbana na Vila , bem como, a sua regularização fundiária para que ela não se torne um entrave de baixa qualidade urbanística nessa região tão importante para o turismo. Ainda mais, tendo em vista as proximidades da Copa 2014. A criação da nova Região Administrativa da Orla do Lago e Adjacências, deverá integrar os Pólos do Projeto Orla com a Vila Planalto e demais áreas residenciais, colaborando assim, para uma maior participação da população de Brasília para esse importante Projeto.
Cogestão
A Região Administrativa da Orla do Lago Paranoá e adjacências poderia ser governada num regime de co-gestão: governo e comunidade. Haveriam algumas gerências específicas como por exemplo: Gerência dos Pólos do Projeto Orla, Gerência da Vila Planalto, Gerência do SMI ( Setor de Mansões Isoladas) entre outras,  além  das diretorias indispensáveis para a gestão administrativa. Seria formado um conselho comunitário com poder deliberativo, para garantir a participação democrática  da população que vive no local sobre as decisões da Administração. Claro que este conselho seria regido por uma legislação que definisse os seus poderes…
Num governo de co-gestão a participação da comunidade é garantida e o Administrador pode ser um técnico da administração pública, o que é ideal. Nem sempre a indicação política ou a eleição de administrador regional beneficia a comunidade. Eu penso que os técnicos, que dão voz e escutam a comunidade por determinação da lei tem mais capacidade de fazerem uma boa gestão. Vi isto acontecer em um curto período , na época do Assentamento da Vila Planalto e foi um sucesso. mas, isso é assunto para outro post.
O importante é garantir uma democracia participativa. O envolvimento da comunidade nas questões que lhe afetam diretamente. A participação pode trazer mais benefícios que a mera representação política