Por Paulo José Cunha

Como se de repente

me lembrasse

do sorriso preso na fotografia

ao som das notas de uma velha canção

e então,

na tela da retina

as mãos, a boca, os olhos,

e todas as lembranças

me invadissem

e eu mergulhasse

no abismo dos teus olhos

suavemente

e fosse morrendo

lentamente

até nascer de novo

feito um fruto

que voltasse a ser semente

feito um rio

que corresse

de volta pra nascente

dos teus olhos

na fotografia

e eu mergulhasse nesses olhos

novamente

e morresse outra vez

mas revivesse

e vida e morte fossem

simultaneamente

o caule, a flor, o fruto e a semente

no movimento interminável

de quem chega e parte

e volta e vai e nasce

e morre uma vez mais

até nascer de novo

eternamente.

 


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