Por Alfredo Bessow, do portal Passe Livre

Se alguém ‘de fora’ chagasse em Brasília durante o carnaval e falasse aleatoriamente com as pessoas que encontrasse, certamente formaria um juízo segundo o qual haverá um terremoto político nos próximos dias, algo capaz de não deixar pedra-sobre pedra envolvendo Tribunal de Contas, Juízes, Ministros de Cortes Superiores e Magistrados do TJDFT, deputados federais, distritais, senadores, equipes do GDF e mesmo meios de comunicação.
A divulgação do vídeo com a Jaqueline Roriz ‘olhando’ o dinheiro embolsado por seu marido e flagrado pela filmadora do Durval Barbosa serviu para deixar em polvorosa o povo que alimenta a central de boatos. Alguns são irresponsáveis, outros sonham com a implosão de tudo que aí está pelo simples fato de que ficaram alijados das benesses que tinham em governos anteriores. Separar o interesse pessoal do que pode ser verossímel é desafio pra lá de complexo.
Trocando mensagens via twitter com o também jornalista Rodrigo Vianna, deixei claro que, na minha avaliação, o ponto central é saber de onde o vídeo saiu – vazou. Ao que parece, este e supostamente outros vídeos teriam sido liberados pelo MP. Por trás desta ação, seria importante saber qual a motivação deste material ter sido divulgado só agora – tendo em vista que se tivesse sido veiculado antes das eleições teria impugnado a candidatura da filha de Roriz.
Há uma outra corrente que diz ser este apenas o primeiro de uma série de vídeos. E sempre apontam para a existência de coisas escabrosas envolvendo todo mundo. Volto a dizer: boato é uma coisa, fato é outra. É preciso, também, enfatizar que este material entregue pelo Durval foi cortado/editado segundo as suas conveniências. Ou seja: talvez nem ele (Durval) tenha mais a gravação na íntegra. Um excerto isolado do contexto é sempre uma faca de dois gumes e é escolhido muito mais pelo interesse ou vantagem pessoal do que amparado pela verdade.
Longe de mim pensar Durval como uma figura importante – ainda mais se levarmos em conta que a divulgação das primeiras imagens foi parte de uma estratégia do ex-governador Roriz de alijar Arruda do cenário político local. Para mim, ele é tão venal e abjeto quanto os que foram flagrados por sua câmera. E, num certo sentido, ele acaba sendo uma figura necessária – mas ao mesmo tempo desprezível porque não joga limpo, joga de acordo com sua estratégia.
Para ser bem sincero: não acredito nesta boataria. O que eu percebeo, volto a dizer, que há muito mais o desejo de alguns do que qualquer conexão com a realidade. E a realidade do momento, que pode ser desmentida quando algum destes boatos de hoje tiverem a materialização das imagens, é uma só: pegaram a filha do Roriz com a mão na massa.
O resto, reitero, é boato.

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