Poema de Fim de Semana: Ode aos Baús

Por Luiz Martins da Silva

Temo abri-los,

E deles se esvaia,

Com o tempo embalsamado,

O encanto de acreditar que neles ainda haja

Algum encanto, aguardado.

Talvez, não os tema, propriamente,

Mas que se percam da mística

As pessoas que ocultamos no tempo,

Intangíveis… Antiquárias… Algumas

Ainda em roupas de crianças.

Outras, colegiais. Outras… E mais outras…

Perdidas da espiral de Aquarius…

Recuso-me aceitar que se tenham mudado:

De idade, de cidade,

De país e até da Humanidade.

Baús, essencialmente, baús.

Ou seja, herméticos. De preferência,

Com a fechadura enguiçada.

Quem sabe, assim, conservem-nos,

Como se ainda tivéssemos acesso:

À Ilha do Tesouro,

Às Viagens de Gulliver,

À Cabana do Pai Tomás,

Às criaturas de Monteiro Lobato,

À toda a coleção de Julio Verne,

E até mesmo à nossa mais pura e verdadeira

História de Robinson Crusoé.

 

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura em Brasília. Bookmark o link permanente.

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