Saiu a edição nº 2 da da Revista MeiaUm, disponível na rede (basta clicar aqui). Nele faço uma análise sobre a questão do turismo em Brasília visto pelos guias franceses.

O texto é este ai abaixo. Leia e comente.
O guia de turismo Routard, o mais importante em francês, é categórico: “Brasília é uma cidade para turistas engravatados”. Ele não recomenda a cidade aos turistas normais. Diz que o transporte público é caro, ineficiente e complicado, que os hotéis custam muito e que, para se locomover, só de táxi. Essas recomendações espelham bem a imagem externa de Brasília e mostram como a cidade está despreparada para o turismo internacional.
O tão cantado turismo ecológico do Entorno não oferece ao estrangeiro estruturas de deslocamento. Só agora, depois de 51 anos de existência, ônibus executivos, do tipo “frescão”, vão interligar o aeroporto ao centro da cidade. Já chegam com defeito: não estarão interligados ao metrô, nem haverá linhas para as principais cidades-satélites.
O DF também não tem hotéis econômicos. Ou são as pousadas proibidas da W3 ou as diárias astronômicas dos Setores Hoteleiros. Um sistema do tipo bed & breakfast, comum em todo o Hemisfério Norte, poderia ser a solução de renda para os donos das pousadas clandestinas e opção para jovens turistas e aqueles que não têm a carteira tão recheada.
Cidades como o Núcleo Bandeirante poderiam ser incentivadas a ter uma rede hoteleira. Assim o NB, que já foi o ponto de acolhida dos pioneiros – quem não se lembra do antigo Hotel Rio de Janeiro, na Avenida Dom Bosco? –, pode vir a ser a base para um turismo classe média.
Mas nosso calcanhar de aquiles é mesmo o transporte. Sem interligação, bilhete único e ônibus seguros, pontuais e confortáveis, continuaremos a ser a cidade do turista engravatado. Europeu, por exemplo, gosta de caminhadas, bicicletadas. Bem que poderíamos ter na Esplanada dos Ministérios uma ciclovia com bicicletas e bicicletários públicos. Bom para o turismo, bom para os servidores que não têm onde estacionar, bom para a saúde e o meio ambiente.
A Copa do Mundo está chegando. Soluções simples podem ser adotadas desde já. Basta iniciativa e competência. Brasília não pode perder a oportunidade de se firmar no turismo internacional.

Chico Sant’Anna