Da Exame.com

Foram assassinados no início desta terça (24), na comunidade de Maçaranduba, a 50 km do município de Nova Ipixuna, sudeste paraense, o líder camponês José Cláudio Ribeiro da Silva, do projeto de assentamento agroextrativista Praialtapiranheira, e sua mulher Maria do Espírito Santo. O casal vinha recebendo ameaças de morte frequentes desde 2008 por denunciarem o desmatamento ilegal praticado por carvoeiros e madeireiros da região.

O caso, que está sendo investigado pela polícia local, chegou ao conhecimento de Dilma Rousseff no início desta tarde através de ex-ministros do Meio Ambiente que se reuniram com a presdiente para pedir o adiamento da votação do novo Código Florestal, previsto para hoje.

O casal vivia há 24 anos em Nova Ipixuna e integrava o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), ONG fundada por Chico Mendes, líder ambientalista assassinado em 1988. Em novembro do ano passado, José Claudio participou do TED x Amazônia, em Manaus, uma conferência sem fins lucrativos que reuniu mais de 50 pensadores de áreas de conhecimento tão diversas quanto arte e tecnologia. Durante sua apresentação, ele disse que em 1997, quando foi criado o projeto de assentamento extrativista no Pará, a cobertura vegetal na região chegava a 85% do território, mas que com chegada das madeireiras ela foi reduzida para 20%.

“Isso é um desastre pra quem vive do extrativismo como eu, que sou castanheiro desde os sete anos de idade. Vivo da floresta e protejo ela de todos os jeitos. Por isso vivo com a bala na cabeça a toda hora […] Essas árvores que da Amazônia são minhas irmãs. Eu sou filho da floresta”, diz em um trecho da palestra.

José Claudio afirmou que recebia ameaças semelhantes às recebidas por Dorothy Mae Stang, mais conhecida como Irmã Dorothy, assassinada com seis tiros aos 73 anos de idade em fevereiro de 2005 e por Chico Mendes.