Por Mino Pedrosa
Alvo de processo do Ministério Público Federal, sob a acusação de ser responsável por superfaturamento no aluguel antecipado da Vila do Pan (Rio de Janeiro, 2007), fato constatado em relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), o governador de Brasília, Agnelo Queiroz, parece que não consegue sair do seu inferno astral.
Além de ainda não ter mostrado a que veio, com um governo que continua sem conseguir um mínimo de arrumação da “casa” (muitos dos arrumadores vieram dos governos que sujaram a casa) e nem pegar um novo caminho, Agnelo tem sofrido acusações sérias.
Foi acusado em reportagem da revista Época de ter recebido R$300 mil de doação para sua campanha ao governo, através do seu comitê. Doação “por dentro”, o que significa registrada na prestação de contas. O estranho apontado no episódio é que a M Brasil, a empresa doadora, tinha como seus dois proprietários um sargento do Corpo dos Bombeiros da Bahia, que ganha salário de pouco mais de R$1.900. O outro proprietário, um motoboy, que também mora em uma casinha em subúrbio pobre de Salvador, sequer sabia que possuía tal empresa. Eram, de fato, dois laranjas enchendo os cofres dos outros.
Mais ainda, o grupo da M Brasil foi beneficiado com um contrato milionário, contrato realizado sem licitação, ao arrepio da lei, contrariando parecer do órgão jurídico da Anvisa. Na época o diretor da Anvisa era o hoje governador de Brasília.
Agnelo deixou a agência para se desincompatibilizar, o que era necessário fazer para que pudesse disputar o governo do DF. Seu substituto na Anvisa anulou imediatamente o contrato com o grupo da M Brasil, cumprindo, assim, a orientação do parecer do setor jurídico.
Ontem (21/6) o jornalista investigativo Mino Pedrosa publicou no site QuidiNovi uma reportagem jogando sobre os ombros de Agnelo sérias acusações. Acusações que não podem ficar sem resposta, sem explicações do governador de Brasília. E também explicações do senador Gim Argelo.
A reportagem “Governador Agnelo Queiroz e senador Gim Argello com as mãos no cofre da ANVISA” coloca coisas como: “Laudos, pareceres e perícias, encomendadas por Agnelo Queiroz na ANVISA, revelam um grande esquema de corrupção com superfaturamento em desfavor da Agência criada para proteger o consumidor na área da Saúde Federal. Os documentos mostram como opera o senador Gim Argelo, (PTB-DF) usando seu testa de ferro Marcos Pereira Lombardi, empresário com o maior patrimônio pessoal imobiliário de Brasília, conhecido como Marcola.”
E mais: “A cena do crime se passa na sede nacional da ANVISA, em Brasília, no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), trecho 5, lote 200, Área Especial 57, mais o acréscimo de invasão de uma área pública.”
Não pode, não deve, o governador de uma unidade da federação governar sem que consiga explicar esse tipo de acusações. Deveria o governador de Brasília, para o bem do Distrito Federal, que tão turbulentos dias viveu com a desastrosa passagem de Arruda pelo Buriti, dar todas as explicações detalhadas sobre o assunto. Se é que as pode dar.
Agnelo terá que demonstrar que o governo do Distrito Federal é um governo que diz ser um novo caminho, um governo diferente.
A reportagem completa de Mino Pedrosa pode ser lida aqui.