O ex-administrador do Cruzeiro, radialista Salin Siddartha, que foi surpreendido com sua exoneração na quinta-feira, 5/1, atribui o seu afastamento a sua decisão de investigar desmandos de protegidos de Paulo Tadeu e do deputado Federal Roberto Policarpo, ambos da cúpula do PT.

Seria uma suposta represália às investigações internas que teria aberto contra servidores comissionados de sua administração, cujas nomeações  teriam sido definidas pelo secretário de Governo do DF, Paulo Tadeu, e pelo deputado federal Roberto Policarpo.

Em entrevista por telefone ao blog Brasília, por Chico Sant’Anna, Salin Siddartha,  que se encontra de férias no Nordeste, deu nome aos bois. Disse que, no primeiro semestre do ano, abriu uma sindicância interna para apurar supostas irregularidades na comissão de licitação da administração regional e que já havia, inclusive, afastado o presidente, à época, da comissão de licitações da administração regional, Jeová Cândido Neres e um segundo integrante, Daniel Abreu Corrêa.

Motivo? Suspeita de promover irregularidades. Jeová, que formalmente ocupava o cargo de chefe de gabinete da administração regional, é, segundo Salim, protegido de Policarpo. Daniel, filiado ao Partido Pátria Livre, presidido por Marco Antônio Campanela, ocupa a direção de serviços daquela regional.

Outra denúncia que estava sendo investigada, ainda segundo o ex-administrador, é quanto ao suposto recebimento de propina, no valor de RS 20 mil, por parte de um dos comissionados – como não teve condições de ouvir o outro lado, o blog não irá mencionar os nomes dos servidores suspeitos. A propina teria sido paga por representantes do Supermercado Veneza para que as novas instalações do empreendimento, que ferem os limites do gabarito de edificações do Cruzeiro, fossem aprovadas.

“Abri a sindicância e registrei queixa na 3ª Delegacia do Cruzeiro. O titular era o delegado Onofre, hoje chefe da Polícia Civil. Pode ir lá conferir com ele.” – disse Siddartha.

Uma terceira sindicância teria sido aberta para apurar o uso não autorizado de veículo funcional da administração por parte de um dos protegidos de Policarpo.

“O carro alvo foi de um acidente na Epia, próximo a rodoferroviária. Ele bateu na traseira de um caminhão, às 5h30 da manhã e o Jeová estava dirigindo o gol oficial do GDF sem autorização e bêbado. Isso é furto – sentenciou o ex-administrador do Cruzeiro, complementando que, na época do acidente, “o Policarpo me ligava todo dia pedindo para que abafasse a investigação. Se duvidarem, peçam a quebra do sigilo telefônico dele.”

Por fim, Salin Siddartha explicou que a outra sindicância era quanto ao não comparecimento ao serviço de dois servidores – ambos protegidos do secretário de  governo, Paulo Tadeu –  que segundo ele fraudavam a folha do ponto.

“Eles não vinham trabalhar ou chegavam aqui às quatro da tarde e saiam às cinco. Quando eu cobrava a presença deles, me diziam que não estavam na Administração para trabalho administrativo, mas sim para fazer política para o PT.”

Salim, que também é do PT, concluiu dizendo que sai de cabeça em pé da administração e que não tem nenhuma queixa em relação ao governador Agnelo Queiroz. Entretanto, disse ser impossível fazer um trabalho sério e moralizador com o PT.

“É impossível fazer um trabalho limpo e acabar com a roubalheira no GDF, com tanta interferência política do PT” – finalizou Salin Siddartha