Mestre Teodoro foi bumbá no céu.

Candidatos do Psol no Boi do Teodoro (41)Do blog Boi de Seu Teodoro e do Campus on-line

Foto de Chico Sant’Anna

O mestre da cultura popular e do Bumba-meu-boi no DF e no Brasil, Seu Teodoro Freire, faleceu às 3h20 da madrugada de  15-01, no Hospital Santa Helena, em Brasília. Ele estava com 91 anos e sofria de enfisema pulmonar, e já há alguns dias vinha resistindo bravamente aos revezes das saúde debilitada. Ele conseguiu, ainda em vida, a honra e o merecido reconhecimento de receber das mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do também então Ministro da Cultura Gilberto Gil, a Ordem do Mérito Cultural tornando-se uma grande referência de cultura popular na cidade e sendo reconhecido o trabalho dele como patrimônio imaterial do Distrito Federal. Seu Teodoro foi convidado no início dos anos 60 por Darcy Ribeiro (UnB) e Ferreira Gullar (Fundação Cultural do DF) a se mudar com a família  para Brasília.

“Ele será cremado nesta segunda-feira (16-01) e já estamos providenciando os detalhes de seu velório”, informou consternado um dos filhos dele, Guarapiranga Freire, que nos últimos anos tem assumido a responsabilidade em continuar com o trabalho cultural do Bumba-meu-boi e do Tambor-de-Crioula de Seu Teodoro.

No último dia 10 foi aberto o período de festejos de São Sebastião, que iria até o próximo dia 20. “Com o falecimento de meu pai, teremos que cancelar toda nossa programação deste mês. Não há o menor clima de continuarmos com as festividades agora. Ficou um vazio muito grande”, explicou Guarapiranga Freire.

Sonhos não realizados

Seu Teodoro Freire, como idealista e grande sonhador, partiu sem conseguir realizar alguns de seu maiores sonhos: o primeiro e maior, era  a construção da nova sede do Centro de Tradições Populares. “Esse sonho, lutaremos para tentar realizar e dependemos da garantia de recursos junto ao Governo do Distrito Federal e da iniciativa privada. Pena que não conseguimos realizá-lo em 2013, dentro das comemorações do cinquentenário do Bumba-meu-boi e Tambor-de-crioula de Seu Teodoro. Chegamos até a lançar o projeto arquitetônico das novas instalações do Centro de Tradições Populares”, relembrou Guarapiranga Freire. Segundo ele, os objetivos da nova sede são: a manutenção deste Patrimônio Cultural Imaterial do Governo do Distrito Federal, promoções de intercâmbio cultural entre Brasília -DF / Maranhão, entre outras unidades da federação, e ainda uma parceria planejada para atender os anseios da comunidade do Distrito Federal, com atenção especialmente voltada para as Escolas Públicas e Zonas rurais. “ Esse espaço em Sobradinho, que abriga todas as festas maranhenses, será transformado em museu quando o novo edifício for construído”, promete Guarapiranga Freire.

Outras paixões não realizadas de Seu Teodoro eram aparentemente ainda mais difíceis: a construção, em pleno Planalto Central, de um clube de regatas do Flamengo e uma versão local da Estação Primeira de Mangueira, a escola de samba do coração dele.

Seu Teodoro Freire

Seu Teodoro chegou à cidade em 1962, trabalhou na Unb, criou o Centro de Tradições Populares e seguiu mantendo viva a cultura do Bumba meu boi na cidade

O maranhense Teodoro Feire, conhecido como Seu Teodoro, nasceu na pequena cidade de São Vicente Ferrer, localizada a 280 km de São Luís (MS), em 1920. Desde os oito anos era apaixonado pelo cultura popular e dedica-se à tradição de sua região: o Bumba meu boi e outras paixões como o time de futebol Flamengo e sua escola de Samba, a Mangueira. Ele sempre usava um chapéu de palha com tira vermelha e preta, referência à paixão pelo time rubro-negro carioca. “Sempre recordo do dia que ganhei meu chapéu de palha, com uma tira preta, de um estudante da Universidade de Brasília.  Depois, tive que colocar a fita vermelha já que não uso o preto sem o vermelho junto”, gostava de falar.

Quando menino, em épocas festivas,  saía às escondidas para acompanhar os cantadores e as toadas de boi, escondido da sua mãe. Passou uma temporada no Rio de Janeiro até chegar em Brasília, em 1962.

Assim que chegou à capital do Brasil, foi trabalhar na Universidade de Brasília e após um ano criou o Centro de Tradições Populares, em Sobradinho, com o intuito de difundir e levar adiante as festas e danças dessa importante manifestação da cultura e folclore brasileiro. “É importante manter a dança do boi viva para as novas gerações”, gostava de defender.

A primeira apresentação e visita à cidade aconteceu mesmo antes de morar em Brasília. Foi no primeiro aniversário da cidade, quando veio para fazer uma apresentação. Encantou-se com o Planalto Central e veio para ficar.

O Centro de Tradições Populares, no começo, era bem simples, feito de paredes de taipa, chão de terra batida e teto de palha. Hoje, tem uma boa estrutura e reúne cerca de 75 integrantes onde faz apresentações de bumba-meu-boi, de Tambor-de-Crioula e comemora as festas de São Sebastião, São Lázaro e da Matança do Boi (essa há 49 anos). Houve também o Encontro-de Bumba-meu-Boi realizado na Funarte, em homenagem ao sempre empolgado mestre.

A 22 km do Plano Piloto, seu Teodoro abre as portas do Maranhão aos brasiliense

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Quem chega ao Memorial Bumba-meu-boi, em Sobradinho, encontra, em meio a tonéis que estampam figuras típicas do folclore brasileiro, um carismático senhor sentado em um banquinho na porta de um barracão. Com um chapéu decorado por tecidos rubro-negros, ele se protege do sol, enquanto assiste a uma partida de futebol, sua segunda paixão, no campo que também funciona no local.

Seu Teodoro Freire, maranhense de São Vicente de Férrea, é o criador do Centro de Tradições Populares de Sobradinho. Servidor aposentado da Universidade de Brasília, chegou na capital em 1961. Flamenguista no futebol e mangueirense no Carnaval, esse senhor de 88 anos é mestre do ritmo tambor de crioula e defensor do popular folguedo Bumba-meu-boi no espaço cultural que coordena há 45 anos.

“Quando eu fui para o Rio de Janeiro em 1953, senti muita falta da cultura maranhense e foiSeu Teodoro, servidor aposentado, visita a Universidade de Brasília.  para lá que levei, inicialmente, o movimento Bumba-meu-boi”, conta. Saudoso da época de fundação do grupo folclórico, seu Teodoro foge à idéia de brasileiro de memória curta para a política e recorda, com clareza, os representantes que incentivaram a criação do movimento cultural. “Aqueles eram outros tempos. Na época, Juscelino era o presidente do Brasil e Fernando Andrade, nosso ministro da Educação Nacional.

O espaço cultural que fica sob os cuidados da comunidade que reside no local, é aberto durante toda a semana. Lá se realizam os ensaios do grupo folclórico e ficam expostos, além das peças e instrumentos que servem às duas apresentações anuais da saga do boi (batismo e morte-ressurreição), obras do artista Toninho de Souza, famoso pelas pinturas de araras em espaços públicos do DF.

Tonéis com estampas da cultura maranhense enfeitam a entrada do Memorial/ Foto: Mayara Reis Conheça o folguedo

Ritmos bem brasileiros embalam a saga do boi. O batizado se realiza ao som do baião, a morte é lamentada em coro pelos cantadores e espectadores do ato e na ressurreição, entoam-se loas e despedidas. A festa de batismo do Bumba-meu-boi foi realizada no dia 23 de julho. A apresentação da morte e da ressurreição ainda não tem data marcada.

O Memorial Bumba-meu-boi do seu Teodoro foi reformado em 2006, dois anos após ser considerado Patrimônio Cultural do GDF. O espaço encontra-se aberto a visitação na quadra 15 área especial nº 2 de Sobradinho, entre os clubes Sesi e Bancréva. Para agendar visitas, os interessados podem falar com Graça Maria no telefone 3487 1252.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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