Por Luiz Martins da Silva

 

I

Quando a casa é alheia,

Disciplina de sentidos,

Tantos seres invisíveis

Em noites de lua nova.

II

Quando só em solo alheio,

Há de sondar dobradiças,

Rangidos reagem a estranhos,

Em descontrole de rótulas.

 

III

Quando lá é lar alheio,

Jardim girassol de sorrisos,

Não soa franzir cerimônia,

Cerzir cenho de acabrunhas.

 

IV

Quando a sala é alheia,

Carece manual, etiqueta;

Até o solar do calçado

Requer entoar decoro.

 

V

Quando o assoalho é alheio,

Tudo se sabe a sabor,

Saber o som do elogio,

Mesmo o frio é o melhor.

 

VI

Quando é a cama que alheia,

Não se repuxam lençois;

Não se assoma ao ressonar

De roncos em crepitar de lenha.

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