Agressor xingou aluna da UnB de “lésbica nojenta”, ao atacá-la com socos e chutes. Polícia já teria um suspeito.

Do Portal Uol, com informações da Agência UnB

A 2ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal divulgou hoje (25) o retrato falado do acusado de agredir uma estudante de agronomia da UnB (Universidade de Brasília). O ataque ocorreu no estacionamento da universidade na segunda-feira passada (18) e teria sido motivado por homofobia.

Segundo relato da jovem, o suspeito a xingou de “lésbica nojenta”, após empurrá-la no chão e agredi-la com socos e chutes.  Ela ficou com diversos hematomas e teve que imobilizar uma perna e um braço.

A estudante, que não teve seu nome divulgado, ajudou a fazer o retrato falado do agressor na última quarta-feira (20). No dia seguinte foi à reitoria da UnB para denunciar o ataque. A universidade abriu investigação para apurar o caso e promete entregar à polícia imagens do circuito interno de vigilância que possam ajudar na identificação do criminoso.  A comissão tem 30 dias para finalizar a investigação.

Segundo a UnB, a polícia já teria um suspeito, mas a delegacia disse que não se pronunciará sobre o caso para não atrapalhar as investigações.

Centro acadêmico da UnB é pichado com frases homofóbicas

Na sexta passada (22), um grupo de estudantes realizou um ato contra a homofobia na UnB. O grupo divulgou uma lista de reivindicações para a um UnB e um manifesto, em que criticam o governo federal por não avançar na aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia e por ter recuado na distribuição de kits de conscientização sobre a diversidade sexual nas escolas públicas.

O DCE (Diretório Central dos Estudantes) marcou para a próxima quinta-feira (28), às 14h30, uma assembleia geral para o discutir o tema, que deverá ser seguida por uma manifesto na reitoria. Antes, às 12h, haverá um debate sobre homofobia com o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ).

Histórico

No início de janeiro, a universidade já havia enfrentado o assunto, quando paredes do centro acadêmico de direito foram pichadas com frases homofóbicas.

“Está havendo um crescimento dos casos de intolerância na UnB e a reitoria não está tomando as medidas necessárias para aumentar a segurança”, disse ao UOL Hyago Brayhan, estudante de serviço social e integrante do movimento LGBT na universidade. “Entregamos uma série de reivindicações desde o ano passado para a reitoria e até agora nada foi feito”, afirmou.

Diretoria de diversidade e disque denúncia

O Decanato de Assuntos Comunitários da UnB anunciou hoje a criação de uma diretoria de diversidade, para tratar das questões de gênero e etnia, e um disque-denúncia para casos de agressão. “O principal objetivo é o combate ao preconceito”, disse a decana de Assuntos Comunitários, Denise Bomtempo, que prevê a instalação do novo órgão no mês de abril.

Sobre a agressão a estudante de agronomia, Denise reiterou que a universidade vai investigar o caso. “É um caso gravíssimo e que repudiamos veementemente”, declarou.

De acordo com a UnB, a nova diretoria vai atuar em conjunto com outras iniciativas já existentes no campus, como o Grupo de Trabalho de Combate à Homofobia, criado em 2012 e formado por alunos, professores e servidores.  Segundo o coordenador do grupo, o professor José Zuchiwschi, após o caso da pichação, tem aumentado a tensão sobre o assunto na universidade, inclusive com a perseguição a um  integrante da iniciativa. “Há um perigo, as pessoas têm que ficar atentas, quanto mais exposição houver, mais haverá reação contrária”.

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