Poema de Luiz Martins da Silva

Contigo, Bento, agora me sinto

Um pouco mais abençoado.

Sigamos juntos para o mesmo sono,

Até que o próprio Deus por fim acorde.

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Recolho-me também contigo Bento

Ao pouco que este mundo ainda pede,

O ínfimo a se guardar além da pele,

Casulo derradeiro aquém da alma.

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Também almejo para mim a mínima cela,

Aquela, que no âmago, já nos cinge

Ao umbral que dos desejos se despede,

Às primeiras tonturas da eternidade.

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Bendigo a ti, Bento, e tua renúncia

A tudo que se nomeie vaidade,

A mais fugaz âncora de um barco

Que não tarda ir-se à outra margem.

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