Para minimizar consequências do “trancón”, capital colombiana é organizada em zonas específicas de interesse cultural e astronômico

Com base no texto de Vitor Sion, do Opera Mundi, e agências.

Referência em transporte público,
Bogotá virou refém do trânsito
após salto populacional

Apesar de ser exemplo de transporte público na América Latina, Bogotá obriga seus moradores a alterarem sua rotina em função do trânsito caótico da cidade. O Transmilenio, sistema de corredores de ônibus criado em 2000, treze anos depois não dá mais conta do crescimento populacional – Bogotá abriga atualmente mais de 7,5 milhões de habitantes.

O sistema Expresso DF, em execução no Distrito Federal se espelha no Transmilenio, que por sua vez se apoiou em Curtiba. Este fenômeno de incapacidade em dar vazão ao transporte de milhares de pessoas, não é exclusivo de Bogotá. Ele também foi verificado em Buenos Aires. Para especialistas, a adoção de sistemas de ônibus é apenas um paliativo e uma postergação a adoção de um sistema de transporte de passageiros sobre trilhos.

Leia também:

Assim que desembarca na capital colombiana, além de escutar sugestões para visitar pontos como a Catedral de Sal, em Zipaquirá, o viajante também recebe alertas sobre as horas de pico (das 7h30 às 10h e das 15h30 às 20h). Nesses períodos, as filas para pegar o Transmilênio são enormes e o tempo de espera pode chegar a até uma hora. A alternativa, então, poderia ser um táxi. Mas não é bem assim.

Segundo o jornal El Espectador, desde 2011, a prefeitura de Bogotá vem sendo cobrada a elaborar uma alternativa de transpote mais eficaz e que contribua para melhorar o trânsito. A fórmula de fazer um rodízio de veículos com base no final das placas de carro não teve êxito. Com poder aquisitivo elevado, os habitantes de Bogotá para burlarem o rodízio, compraram mais carros. “Lo único que ha generado es el aumento del parque automotor”, afirmou o vice-ministro de Transporte, Felipe Targa Rodríguez.

Bogotá, segundo o vice-ministro, decidiu criar um grupo de especialistas, a Dirección de Movilidad Urbana Sostenible, para elaborar uma política de transporte ambientalmente sustentável, integrado e com base nas novas tecnologias de transporte público. É sempre bom ter em mente, que a tecnologia de linhas expressas de ônibus teve início em finais da década de 1970, início da de 1980.

Turismo

As dificuldades de transporte em Bogotá afeta diretamente o turismo na cidade. Nas principais atrações turísticas da cidade, é possível conseguir um carro especial (sem logotipo e o sistema de cobrança municipal), mas pode gastar-se até o dobro do que em uma corrida normal. No resto da capital colombiana, a cena mais comum é um taxista encostar o carro, perguntar o destino do passageiro e desistir. Com o tráfego parado, as buzinas são constantes mesmo nas ruas mais estreitas e, nesse cenário, os motoristas pensam duas vezes se a viagem realmente compensa.

A alternativa para os turistas vem por meio dos próprios bogotanos, que acharam uma maneira original de driblar a falta de organização. Foram desenvolvidas zonas geográficas específicas para quem quer encontrar um bom bar, café ou restaurante. A medida pode ter reduzido um pouco o fluxo de carros, mas trouxe cerceamento à liberdade de ir e vir do cidadão de Bogotá, que deve agora se contentar com o laser existente nas proximidades de sua casa e esquecer os desejos de se divertir em outros bairros da cidade.

Anúncios