Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Marcos Nunes

Por que não sorriem os profetas?

Por que o olhar crispado,

Indefinido para além do horizonte?

X

Ah! Agora, compreendo,

Quanta inspiração para tanta culpa,

A perpetuação do pecado original.

X

De joelhos, na matriz, a culpa motriz:

Sentir-se culpado pela morte do Filho…

E o coração dilacerado… O rosto da Mãe…

X

O Senhor morto, os joelhos, rótulas expostas;

Os olhos para sempre fixos, fitos de dor:

A lança, o corte, o vinagre.

X

Todas as vias sacras de minha infância

Foram ainda amenas ante a clemência

Estampada, implorada… Barrocas imagens!

X

E para sempre a consideração à parte,

De que todo aquela perfeição de sofrimento

Fora esculpida por um Aleijadinho.

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