Parque Tabord, Rennes, França. Foto: Chico Sant'Anna
Parque Tabord, Rennes, França. Foto: Chico Sant’Anna
Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Outono! Ah! O outono!

Desta vez, não é mais um,

Pois há franzidos no céu,

Como em carrancas de proas.

X

O tempo andou às avessas,

O Planeta, desalinhado;

Terroristas já não explodem

Cogumelos de biquíni.

X

Eu vejo pela janela

Exóticas flores berrantes,

Que entranham prosódias outras

Ignorando serras e sertões.

X

São sotaques espatódicos,

Híbridos de maios e hibiscos,

Meios tons crepusculares,

Vinhos de efeitos lilases.

X

Outonos são quase místicos,

Vapores de antigas saudades,

Incensos de rosas musgosas

Tinidos de solos de cítara.

X

Eu sei o que dizem as cartas,

Num suspense de adivinhos,

Oráculos são só assonâncias

Dos signos que há no destino.

X

Outono, vai-vem de valsa,

De sopros que à vida lançam,

Relances de par em par,

À luz de embaçar vidraças.

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