Gougon---fora-do-plano

Neste mês de maio, passei a assinar a coluna Fora do Plano, da Revista MeiaUm. Para acessar a revista clique aqui.

A primeira coluna, publicada, em 8 de maio de 2013, na Edição nº 24, da Revista MeiaUm, conta com ilustração de GouGon e você confere abaixo.

Por Chico Sant’Anna – blogdochicosantanna@gmail.com
 

Árvores cortadas, terra arrasada. O estrago está feito. Um caos viário e a desilusão tomam conta do Balão do Aeroporto, outrora cartão-postal da capital. Ali surgirá um mergulhão, dividindo em dois o Bambolê da Dona Sarah. Por não ser obra para a Copa das Confederações, pergunta-se por que não ter se esperado até 15 de junho, data do único jogo na cidade. Mais grave é a troca de informações desencontradas no GDF.

Quando da derrubada das árvores, em 8 de abril, a Comunicação para a Copa se apressou em afirmar que tudo acontecia “com base nas regras impostas pela legislação ambiental. A ampliação da via conta com estudo de impacto ambiental e licenciamento ambiental emitido pelo Instituto Brasília Ambiental – Ibram”. No Ibram, a história é outra. Em 16 de abril, anunciou multa de R$ 150 mil ao DER pela “supressão não autorizada das árvores do Balão do Aeroporto”. À mídia, o secretário de Meio Ambiente, Eduardo Brandão, afirmou que o certo teria sido solicitar antes a licença de obras e a autorização do corte das árvores.

Sem respostas

O triste fim do Bambolê da Dona Sarah coloca em xeque a credibilidade do GDF diante da opinião pública. Quem fala a verdade, quem mente nos informes do GDF? A Comunicação da Copa, que diz haver autorização do Ibram, ou este, que nega?

Mais grave do que isso: quem determinou o abate das árvores foi punido? Abriram sindicância para apurar responsabilidades? Houve queixa por crime ambiental? A multa do Ibram será paga por quem cometeu o erro ou pelo contribuinte?

É cobrada ainda do governo a falta de debate prévio com a comunidade sobre tal destruição, classificada na nota do GDF de “legado à cidade”.

Enquanto não há as respostas, o Balão do Aeroporto vira o Embolado do Aeroporto. Quilométricos engarrafamentos aporrinham os moradores do Entorno Sul, do Gama, de Santa Maria e do Park Way. Todos ainda convivem com as obras do Expresso DF, pelo menos seis meses atrasadas.

Para os turistas que vierem assistir à abertura da Copa das Confederações, restou a paisagem de hecatombe ambiental.

De olho no trânsito

Existe um aplicativo de GPS social para telefones e tablets chamado Waze, que informa como anda o trânsito. Em tempos de Lei Seca, a garotada o usa para ser alertada de blitze. O mais novo usuário do Waze é o deputado distrital e corregedor da Câmara Legislativa Cabo Patrício, ex-policial militar. O GDF já teve seu secretário da Juventude, Fernando Neto, exonerado por divulgar no Twitter as ações do Detran-DF. Mas pode ser que Patrício só deseje usar o Waze para saber quais são as melhores rotas para chegar ao poder.

Cadê os gringos?

As Copas do Mundo e das Confederações estão inseridas na criação de uma nova imagem internacional do Brasil. Visam ainda a mudar o patamar de entrada de turistas estrangeiros. O Brasil não consegue mudar muito o perfil e a quantidade de estrangeiros que nos visitam. A meta é alcançar 8 milhões de turistas por ano, segundo o planejamento do governo Lula. Não são 8 milhões apenas no ano da Copa, mas sim estabelecer um patamar, para dele não baixar mais.

Mas onde estão os turistas estrangeiros?

Em 2012, recebemos 5,68 milhões de visitantes externos, 4,5% a mais do que em 2011. Faltam semanas para a Copa das Confederações e cerca de dois anos para o Mundial. Estamos 30% aquém da meta projetada. A Copa das Confederações mostra-se mais vantajosa ao caixa da Fifa do que aos cofres nacionais. A plateia será brasileira – 98% dos ingressos comprados foram para a torcida verde-amarela. Os dólares vão sair, e não entrar.

Poucos serão os turistas que virão ao Brasil para assistir a tal preliminar. E nós, contribuintes, pagamos a conta.

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