A situação de Brasília no ranking de mobilidade urbana é uma das piores dentre as capitais brasileiras. Levantamento feito pela Associação Abaporu, organização que atua nas áreas de educação, cultura e cidadania, e publicado no portal Mobilize Brasil, aponta, por exemplo, que a cidade é a última colocada, numa relação de doze capitais pesquisadas, quando o tema são os ônibus com acessibilidade a pessoas com deficiência física. Na Capital Federal, apenas 31% dos coletivos estão adaptados para receber passageiros com problema  locomotor.

Além de não estarem adaptados aos passageiros com necessidade especiais, muitos coletivos, como este de nº 151661, da empresa Viva Brasília, flagrado pelo passageiro Eudes Galvão,não possuem amínima condição de rodagem.

A situação é ruim inclusive para os passageiros que não possuem necessidades especiais. A fiscalização das autoridades públicas é deficiente e muitos coletivos, inclusive alguns operados pelo próprio poder público – que interveio na empresa Viva Brasília -, não estão em condição de tráfego, mas circulam do mesmo jeito.

Para piorar a situação, além dos ônibus inadequados, a entidade, com base em dados do IBGE, aponta que no Distrito Federal, apenas 16,4% das paradas de ônibus contam com rampas para cadeirantes. Desta forma, o cadeirante e os portadores de deficiência motora têm seu acesso à rede pública de transporte quase que totalmente obstaculizado, dependendo da ajuda de outras pessoas.

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Para que se tenha um paralelo, Manaus conta com uma frota na qual 80% dos coletivos estão adaptados para receber pessoas com problema de mobilidade. Em Goiânia, o percentual é de 74,5% e a cidade que mais conta com ônibus adaptado é Curitiba, onde 92% da frota está dotada de mecanismos de acessibilidade.

Poluição

Com cerca de três mil ônibus atuando no transporte público, todos movidos a óleo diesel e muitos já com o prazo de validade superado; uma rede de metrô tímida, que não atende à totalidade das localidades do Distrito Federal; ausência de serviço de transporte movido a gás ou à eletricidade, como o VLT; e mais de 1,4 milhão de carros particulares, o brasiliense é obrigado a respirar anualmente 3.190.676 toneladas de gás carbônico (CO²).

Além da poluição ambiental, há também a sonora. Estudo do CNPq aponta que a fonte que produz mais ruído em Brasília é o intenso tráfego de veículos nas principais vias. “O  aumento de veículos leves e pesados nas vias já está causando contaminação ambiental significativa nos prédios às margens das vias principais da cidade e mesmo em prédios internos” – afirma o relatório.

O estudo apontou ainda que as regiões com maior índice de poluição sonora estão próximas às vias W. 3 e Eixos Oeste e Leste da Asa Sul, principalmente nos horários de picos no início de manhã e da noite. Nestas localidades, o nível de ruído ultrapassa a casa de 80 decibéis e Organização Mundial de Saúde alerta que problemas de saúde podem se agravar e reações fisiológicas correlacionadas com níveis de ruído ambiente  podem acontecer com exposição for contínua a níveis acima de 70 decibéis.

A situação tende a se agravar, pois a ampliação da frota de carros particulares cresce rapidamente, impusionada também pela isenção de IPVA a carros novos, concedida pelo governo Agnelo Queiroz. Segundo dados do Detran – DF, a média de emplacamento diário, no ano passado, era de 588 carros por dia.

Em Brasília, as ciclovias não são devidamente respeitadas

Outra carência são as ciclovias. Segundo os dados coletados junto a Novacap pela Abaporu, Brasília conta com 160 quilômetros de ciclovias e ciclo faixas prontas, mas muitas já estragadas, pouco conservadas e nem sempre respeitadas. Esta extensão equivale a apenas 1,52% do sistema viário local e coloca o Distrito Federal na 6ª posição, entre 11 capitais pesquisadas.

Mortes no trânsito

Brasília também se destaca negativamente, quando o tema analisado é morte no trânsito. Segundo o portal, com base no Relatório Mapa da Violência 2012 do Instituto Sangari – que se valeu das estatísticas referentes a 2010 -, a cidade aparece na 11ª posição entre 15 capitais. Em Brasília, morrem anualmente no trânsito 24,8 pessoas em cada grupo de cem mil habitantes.

Na verdade, as capitais do Centro-Oeste de destacam por possuírem os trânsitos mais mortais. Pior do que Brasília, só Campo Grande (12º), 28,9/100 mil; Cuiabá (13º), 37,6/100 mil; e Goiânia, a campeão de mortes, com 51,9 /100 mil. Fora do Centro-Oeste, o destaque negativo fica para Recife, que ocupa a 14ª posição, com 42,9/100 mil mortes por ano.

Ampliação da linha do metrô e implantação do VLT estão ainda só no papel

Adiamento do VLT e do metrô

O Portal registra o fato do GDF ainda não ter dado início a construção da primeira etapa da linha do Veículo Leve sobre Trilhos – VLT, entre o Aeroporto e o início da Asa Sul. A proposta era para que o VLT transportasse 15 mil passageiros por hora nos momentos de pico do trânsito. O estágio atual do projeto, que deveria estar pronto para a Copa do Mundo, é ainda o da licitação para a elaboração dos projetos básicos e só depois de prontos, poderá ser lançada a concorrência para a efetiva construção do VLT.

Quanto à ampliação do metrô em 7,5 quilômetros – compreendendo as três pontas: Asa Norte, Ceilândia e Samambaia -, esta só é prevista para estar pronta em 2015. Segundo o levantamento, o projeto ainda está no estágio de “elaboração dos projetos básico e executivo.”

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