Ilustração poema OlheirasPoema de Luiz Martins da Silva.
Ilustração: Lullaby of Broadway.
Óleo sobre chapa de Michael Carson

A que sedimentos se destinam…

Amores equívocos?

Pessoas esquecidas?

Pontas rotas de lápis?

Meias descasadas?

X

Um dia, nos damos conta,

Dos outros não apagamos dívidas,

Mas quanto somos auto-perdão

De um rol de  vilanias,

Molduras de indulgências!

X

Arranham-se dos discos

As faixas prediletas.

De roupas bem guardadas,

Desgasta-se no espelho

A silhueta de Narciso.

X

Plenitude de egos,

Avidez de vaidades.

Se um ao outro refletimos,

Pactos de sobrevivência,

Águas não repassadas.

X

Por ora, tronco vetusto

De árvore petrificada,

Genealogia do solo ao céu,

Serve-me de seiva o que salvo

De ti o que em mim é meu.

Anúncios