Brasília perde mais uma rota aérea internacional

Por decisão da Avianca Internacional, o vôo Brasília-Bogotá, operado pela subsidiária Taca, será desativado em 1 º de setembro.

Esta não foi, com certeza, uma boa semana para o projeto de transformar Brasília numa atração internacional de turismo. A abertura da Copa das Confederações, que implicou em gastos bilionários não foi atrativo suficiente para enchera a cidade de gringos. E a imprensa internacional que aqui esteve potencializou os legítimos movimentos de protestos contra o desperdício de recursos públicos. Antes mesmo de explodir a primeira granada de gás, o jornal lusitano, Portugal Digital, já informava a seus leitores patrícios que a Capital da Esperança havia se transformado numa praça militar. Para piorar ainda o cenário, mais uma empresa aérea que operava vôos internacionais a partir do Aeroporto Juscelino Kubistchek anuncia a desativação da rota.

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Trata-se da Transporte Aéreos Centro-americano -Taca que ligava Brasília a Bogotá e dela com conexões para todos países sul-americanos da costa do Pacifico e também para a América do Norte e Central. O vôo era inclusive uma opção mais econômica para aqueles que se destinavam aos Estados Unidos.

As agências de viagem já foram alertadas que não devem vender mais bilhetes para esta rota com saída a partir de setembro. Até lá, os vôos, com aviões da Embraer, estarão sendo operados normalmente. Após esta data, quem já comprou a passagem, terá que embarcar em São Paulo, mas receberá o trecho doméstico gratuito pela Avianca Brasil.

Originalmente, este vôo ligava Lima, capital do Peru, à Capital Federal, mas a empresa que pertence ao grupo da Avianca Internacional – que tem sede na Colômbia – alterou o destino para Bogotá, onde funciona o principal hub – aeroporto de interconexões – da empresa, que é proprietária, também, da Avianca Brasil.

Não há uma explicação clara da motivação do cancelamento desta rota, mas certamente prejuízo não era, pois os vôos operavam sempre com bom nível de ocupação. Além dos moradores de Brasília, a empresa recebia muitos turistas de Goiás e até do Sul do Brasil que se destinavam a Colômbia, Peru e Venezuela, além dos Estados Unidos. A procura era tão boa que, em junho de 2012, as freqüências semanais foram ampliadas de três para quatro.

Segundo comunicado feito ao setor turístico brasileiro, o cancelamento se deve “à reformulação da malha aérea internacional e às dificuldades de ajustar suas conexões”, que levarão a Avianca a deixar de operar o vôo LR 690/LR 691 a partir de 1 de setembro de 2013. ”

Poucas Rotas

Nos últimos anos, o turismo internacional de Brasília sofreu com o cancelamento de diversas linhas aéreas. Em outubro de 2011, a cidade perdeu, jáem função da compra da TAM pela LAN, a rota Brasília-Lima. Esta negociação implicou, ainda, no abandono, pela empresa chilena de implantar um vôo de Santiago ao Planalto Central.

Há mais tempo, com a falência da Varig, a Gol, que ficou com o espólio, desativou o vôo Brasília- Buenos Aires, com escalar em Porto Alegre. Sem a pressão da concorrente, a TAM tomou decisão igual. Desta forma, os passageiros de Brasília se viram obrigados a reforçar a lotação dos vôos que saem de São Paulo e Rio de Janeiro. A lucratividade dos grupos econômicos em primeiro lugar e o conforto dos passageiros em segundo plano.

Também por motivo de quebra financeira, a uruguaia Pluna deixou de operar a rota Brasília-Montevidéu. Não se sabe se o grupo que está arrematando a empresa uruguaia – provavelmente uma empresa espanhola – vai retomar a linha.

Se olharmos para um período mais longínquo, podemos lembrar ainda que a Pan American operou vôos entre a Capital Federal e a Florida, e a Transbrasil ligava as capitais do Brasil e dos Estados Unidos. Outro vôo, com escala em Fortaleza, levava os brasilienses a Viena e Amsterdam.

Da forma como está, os brasilienses contam apenas com a empresa Copa, que liga a América do Norte e Central, via cidade do Panamá, as norte-americanas e TAM para Florida e Atlanta, e a Tap, para a Europa, via Lisboa.

Curioso, é que no governo Lula, após os acidentes com aviões da TAM e da GOL, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim,anunciou que São Paulo não receberia nenhuma outra rota aérea, e que vôos internacionais seriam distribuídos Brasil a fora, numa forma de criar novos portões internacionais. Chegaram até em falar numa linha Moscou-Brasília, pela Aeroflot. Mas esta, com tantas outras, foi mesmo para o Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Pelo visto, falta uma ação mais efetiva das autoridades do Governo do Distrito Federal junto às autoridades nacionais. Do jeito que anda, o brasiliense terá que gastar quase um dia em conexões, apenas para deixar o território nacional.

Empregos

A desativação de rotas aéreas não traz como prejuízos apenas o desconforto para viajantes. Ele impacta diretamente na geração deemprego e renda. O fechamento da única freqüência da Taca em Brasíia significa que ela não vai mais recisarde mecânicos, descarregadores, pessoa daimpeza dos aviões, a turma que faz a alimentação de bordo, do pessoalque atua no check in, da aeromoça, dentre tantos outros que se fazem necessários na assistência direta ao vôo.

Mas os efeitos negativos afetam também os setores que trabaham com turistas: hotéis, bares, restaurantes, taxistas, câmbio – menos dólares e euros são gastos na cidade – afetam até o camelô que vende artesanato e souvenir. Por isso, o Governo do Distrito Federal deve ter uma ação mais efetiva e séria na defesa dos interesses da cidade.

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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5 respostas para Brasília perde mais uma rota aérea internacional

  1. FÁBIO disse:

    Caro colunista,
    Infelizmente, essa é a realidade.
    Os “novos ricos” e “velhos ricos” de Brasília não valorizam o fato de que tenhamos ligações aéreas com as capitais latino-americanas.
    Para nós o que importa é viajar para os Estados Unidos duas vezes por ano, para podermos comentar nos almoços de domingo e na academia.
    Fotos da Estátua da Liberdade, das praias de Miami e compras de bugigangas em geral são o nosso foco.
    “Ah… mas a TACA também era usada para ir aos istaitis…”
    Era sim, mas com a concorrência de outras COPAS, DELTAS, AAs da vida, ficava muito trabalhoso ir a Bogotá ou Lima.
    Afinal, essas cidades servem unicamente para nos levar às maravilhosas terras de Tio Sam, onde poderemos treinar nosso inglês com sotaque caipira ou nordestino.
    Quem quer conhecer a cultura Inca?
    Quem quer conhecer a história da colonização hispânica?
    Quem quer conviver com essa latinidade toda?
    Claro que nós não queremos.
    Somos melhores que tudo isso.
    Somos analfabetos, desterrados, retirantes vindos de todos os buracos do país desde a construção da capital.
    E aqui ganhamos muito dinheiro.
    Para que cultura? Para que estudo?
    Se um vigilante das obras da nova capital ganhava salário de executivo, se um ascensorista da Câmara ganha muito mais que um professor, se a moça do cafézinho comprou casa no lago…
    Somos uma cidade de “Severinos Cavalcantes”.
    Tomara que o resto do Brasil continue sustentando nossa ignorância e nosso desperdício, enquanto viajamos para ver o Mickey Mouse.

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