máscara Dupla Ottawa

Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Quando existimos em sonhos,

Em não se sabendo vigília,

Somos de pleno entrelaço

Do desejo em maravilha.

 

Senhas apenas confirmam,

Em máscaras de perversão,

Camuflagens do temido:

Sim é sim e também não.

 

Misturas de risos e algas,

Correntes barrentas de mimos,

Caudais oblíquos de um lodo,

Conjugável em qualquer cena.

 

Não por acaso o novelo

Faz latitudes na cama,

Nave, casulo e túnel

Seção de cinema na alma.

 

Religação alegórica,

Profanação do sagrado,

Reintegração do simbólico:

O verso, o avesso ao contrário.

 

Tradução de figuras, imagens,

Dupla tez do indissolúvel:

Uma se encena de sombras;

A outra é drama narrável.

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