Por Luiz Martins da Silva

Um dia, lá, naquele café,

Eu fiz um comentário qualquer,

Ao que você reagiu, num torpor:

“Até lá estaremos todos mortos”.

X

Que pensamento torto,

Escutando um bem-te-vi,

A verdadeira vida nossa

É o não nosso a ser deixado, aqui.

X

Por enquanto, do que somos, biologia,

O mesmo húmus que serve à horta,

Do lado de cá, deixar correr quente nas veias…

X

Viver, aqui e agora, o sonho que nos incinera,

Dele cuidarão melhor os que, do ofício, no futuro,

Erguerão, outra vez, ao alto, a imanência de nossas quimeras.

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