Rudolfo Lago, que deixa a secretária de Comunicação do GDF, diz que não houve sintonia com o governador Agnelo.

 “As circunstâncias em que as coisas aconteceram não permitiram essa sintonia. Havia uma não aconselhável situação de temporariedade na situação, da forma como foi colocada. A um ano da reeleição, o governador Agnelo precisa de uma máquina de comunicação azeitada para chegar ao seu propósito.” – disse, nas redes sociais, o secretário Rudolfo Lago.

Por Chico Sant’Anna

O jornalista Rudolfo Lago, que desde a exoneração do secretário de Comunicação, Ugo Braga, respondia pela secretária de Comunicação do GDF, pediu para sair da equipe do governador Agnelo Queiroz. Este parece ser mais um elemento de que a Comunicação Social no GDF anda em crise. Rudolfo Lago, que já foi membro da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (1992/1995), disse em mensagem aberta no facebook que não houve sintonia com o governador Agnelo.

Agnelo Queiroz iniciou seu governo tendo à frente da secretária de Comunicação a jornalista Samanta Sallum, ex-Correio Braziliense e que foi sua assessora de imprensa durante a campanha eleitoral. Samanta, contudo, recebeu a Comunicação pela metade. A parte de Campanhas e Publicidade ficou sob o comando de um filiado do Partido dos Trabalhadores, Abimael Nunes, cujas origens políticas são o sindicato dos Previdenciários de Brasília e que integra a importante tendência petista Movimento Alternativa Socialista – MAS/PT, cujo expoente de maior visibilidade em Brasília é o atual presidente da Câmara Distrital, deputado Wasny de Roure.

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Alem de tocar a Comunicação do GDF, Samanta tentou levar à frente mudanças estruturais na comunicação pública do governo. Idealizou um concurso público para a contratação de profissionais de comunicação, já que hoje o plantel da secretaria é quase todo formado por servidores comissionados de livre provimento e de terceirizados.  Assumiu para si o encaminhamento da regulamentação do dispositivo da Lei Orgânica do Distrito Federal que prevê a criação do Conselho de Comunicação do DF. Um seminário, reunindo todos os setores afetos à matéria, chegou a ser realizado com toda a pompa.

Mas ficou nisso.

Com a saída de Samanta Sallum da secretária de Comunicação, ações dedemocratização da Comunicaçãono DF foramcolocadas de lado.

Em março deste ano, Samanta deixou a secretaria de Comunicação e foi transferida para assumir a assessoria de imprensa da secretaria responsável por organizar a Copa do Mundo de Futebol. A exoneração dela provocou protestos de sindicatos e ongs vinculados à democratização da Comunicação na Capital Federal. Estes acusaram Agnelo de retroceder na política comunicacional local.

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Para o lugar dela, foi designado Ugo Braga, até então responsável pela comunicação do senador Gim Argelo, suplente de Joaquim Roriz. A nomeação de Braga foi vista por alguns analistas como um fortalecimento de Gim no Buriti.

Ugo chegou originalmente ao GDF na condição de porta-voz de Agnelo. A estratégia era tirar o governador da fogueira, evitando a vitrine midiática nos momentos de crise. Mas porta-voz era pouco para o perfil pró-ativo dele e, assim, logo assumiu o lugar de Samanta Sallum, sem, contudo, fazer andar um centímetro sequer as ações de sua antecessora. Nada de concurso público, nada de Conselho de Comunicação do DF.

Abimael deixou a gestão da verba publicitária e foi integrar o núcleo de planejamento político de Agnelo.

As turbulências continuaram. Em agosto, passado, nova mudança na Comunicação do GDF: o secretário de Publicidade Institucional do Distrito Federal, Abimael Nunes, deixou o cargo para, oficialmente, assumir outra função no GDF. Na prática, ele passa a integrar o Núcleo de Articulação Política que irá comandar a campanha eleitoral de Agnelo Queiroz.

A saída de Abimael fez alguns acreditarem que Ugo Braga assumiria o controle geral da comunicação, gerindo, inclusive, a verba publicitária oficial, estimada em R$ 150 milhões. Ele inclusive deixava entender que contava com este upgrade. Entretanto, o secretário de Comunicação foi surpreendido pelo anúncio do recrutamento do jornalista André Duda, ex-TV Globo, e que na administração pública ficou notabilizado por assessorar Joaquim Roriz, José Roberto Arruda e o ex-governador tampão, Rogério Rosso. A escolha feita por Agnelo – alguns dizem que foi de Tadeu Filippelli – não agradou tendências internas do Partido dos Trabalhadores, que está em processo de eleição de sua nova direção.

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Ugo Braga deixou a secretaria de Comunicação do GDF ao saber que Agnelo escolhera André Duda, ex-assessor de Roriz e de Arruda, para cuidar da publicidade governamental

Segundo o portal Câmara em Pauta, Ugo Braga acabou “trombando” com figurões do PT local, em especial como o secretário de Governo, Swedenberg Barbosa, e com parlamentares petistas. O certo é que ele pediu para sair e em seu lugar assumiu o, até então, subsecretário de Comunicação, Rudolfo Lago. Nas redes sociais, Rudolfo, à época, chegou a afirmar “que tinha entrado em um túnel escuro sem saber o que havia do outro lado?” Rudolfo se referia ao fato de passar a integrar o GDF de Agnelo.

No domingo, 22/9, Rudolfo voltou às redes sociais para afirmar que o túnel, ao final, revelara-se de extensão bem curta. “Há três semanas, uma situação inesperada – tanto para mim quanto para ele – colocou-me como secretário de Comunicação do governador Agnelo Queiroz. Trata-se de um cargo que exige uma total sintonia entre assessor e assessorado.”

E a sintonia não aconteceu, segundo o próprio Rudolfo Lago:

“As circunstâncias em que as coisas aconteceram não permitiram essa sintonia. Havia uma não aconselhável situação de temporariedade na situação, da forma como foi colocada. A um ano da reeleição, o governador Agnelo precisa de uma máquina de comunicação azeitada para chegar ao seu propósito. Não tem tempo, portanto, para vir a tentar construir uma sintonia com seu secretário de Comunicação. Por isso, fiz o que me parecia ser o mais honesto, tanto para mim quanto para ele. Deixei-o à vontade para que escolha o seu nome para o cargo. Combinamos, assim, que eu trabalharei lá apenas mais esta semana. Assim, estou deixando o governo.”

O secretário de Comunicação que sai do cargo – o terceiro em três anos de administração Agnelo/Filippelli – deixa claro que o atual governador vai dirigir a máquina da comunicação pública para a sua reeleição. Alguém com um perfil marketeiro eleitoral deve assumir o posto e, não será surpresa, se André Duda acabe acumulando Publicidade e Comunicação Social do GDF. Também não será surpresa se, até o ano que vem, a verba publicitária seja utilizada, digamos assim, com menos parcimônia e que Agnelo comece a se fazer presente em uma interminável relação de eventos de início e de inaugurações de obras e coisas do tipo.

Agnelo, assim, tenta arrumar a casa no campo da comunicação institucional, tentando obter, por meio dela, a visibilidade positiva que até agora não conseguiu. A rejeição ao seu governo gira na casa dos 80%.

Será que vai dar certo?

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