Poema de Luiz Martins da Silva

Por um instante, tudo leve,

Vestido de uma vida noiva,

Entre o desprender de uma flor

E o tapete já alvo, de neve improvável.

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Minhas lembranças, névoas,

Minhas neblinas baças,

Minhas vistas, horizontes

Tingidos de vento, torpor.

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Tenho o olhar estupefato,

Como se fosse O Estudante de Van Gogh

E seu turbilhão de imagens para dentro.

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A diferença é que se eu hoje permanecesse

À sombra de uma árvore exaurida,

Já seria eu próprio, anjo, de puras pétalas lívidas.

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