GDF gastou R$ 2,8 milhões, provenientes de recursos públicos, na compra de mil ingressos e de um camarote VIP.

Por Aiuri Rebello,
do UOL Brasília

 

O  Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – MP/DFT deve entrar nesta semana com uma Ação Civil Pública na Justiça por improbidade administrativa contra o ex-presidente da Terracap (empresa estatal do governo do DF), Antônio Carlos Lins, o atual presidente da estatal, Abdon Henrique de Araujo, e secretários e ex-secretários do governo do DF. A ação também atinge diretores da Terracap e membros do segundo escalão da secretaria de Comunicação do governo Agnelo.

O motivo é a distribuição de mil ingressos e um camarote VIP, comprados com R$ 2,8 milhões do dinheiro público, para convidados do governo na abertura da Copa das Confederações, no dia 15 de junho, quando a seleção brasileira venceu a japonesa por 3 a 0 no estádio Mané Garrincha, em Brasília. A denúncia do MP à Justiça não alcança o governador Agnelo Queiroz.

Na ação, deve figurar o nome da secretária de Comunicação do DF na época da compra dos ingressos e atual chefe da assessoria de comunicação da Secopa (secretaria Extraordinária da Copa do Mundo), Samanta Sallum. Além dela, também deve constar como denunciado Ugo Braga, porta-voz do governo que a sucedeu na Secretaria de Comunicação pouco antes da Copa das Confederações. Ele também já deixou o governo.  Além deles, também devem ter o indiciamento pedido pelo menos outros dois secretários do governador Agnelo Queiroz.

O secretário de Comunicação interino, Rudolfo Lago, que assumiu a pasta após a saída de Braga e ficou menos de um mês no cargo – se demitiu no final de setembro – não deve ser arrolado na história.

Na ação, o promotor Roberto Carlos Silva, titular da primeira Prodep (Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social), diz que pedirá que os denunciados sejam obrigados a devolver o dinheiro dos ingressos do próprio bolso, além de serem demitidos e perderem os direitos políticos por oito anos. Caso condenados, os acusados também ficam impedidos de fechar negócios com qualquer esfera do poder público pelo mesmo período. O MP-DFT abriu um inquérito para averiguar a compra de ingressos por parte do governo depois que UOL Esporte revelou o caso, em fevereiro deste ano.

Em seu pedido de abertura da ação no TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal), o promotor alega que a improbidade administrativa está configurada, entre outros aspectos, nas justificativas apresentadas pelo governo no critério de escolha dos convidados que receberiam o dinheiro. Em documento oficial, dentre os critérios utilizados para montar a lista VIP do DF, o governo diz que os convidados foram escolhidos por sua “relevância” e “notoriedade”.

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