Texto e fotos de Chico Sant’Anna

O Dia da Criança foi de muito aborrecimento para centenas,quem sabe milhares de motoristas que transitaram no Park Way, neste sábado, 12/10. A combinação de falta de planejamento das autoridades do GDF, descaso das autoridades de trânsito de Brasília e de falta de educação e de paciência dos motoristas só poderia resultar em uma coisa: caos. E foi isso que os moradores do Park Way testemunharam ao longo deste Dia da Criança.

No sentido Gama-Plano Piloto, o trânsito da BR-40, que possui três faixas de rolagem, foi transferido para a via paralela, que atende às quadras de número 26 a 29 do bairro. A via é o que os técnicos chamam de estrada de serviço. São apenas duas faixas, uma que segue rumo ao Plano Piloto e outra, em sentido contrário, que leva ao Catetinho.

No local, apesar do grande volume de carros, não havia agentes do Detran ou da Polícia Militar para orientar os motoristas e coibir os abusos. Resultado: os motoristas que se destinavam sentido Plano Piloto ignoraram que estavam em uma via de mão e contramão e passaram a ocupar as duas faixas da via. Não satisfeitos, passaram a transitar nos acostamentos dos dois lados, criando quatro colunas de veículos de toda natureza. Por ali passavam caminhões, carretas, ônibus coletivos e interurbanos, e uma imensidão de carros.

Ao fundo, camionete preta usa a ciclovia para escapar ao garrafamento

Ciclovia invadida

Pior, ainda, uma ciclovia que ainda está em fase de construção, passou a ser mais uma opção dos apressadinhos. Todos estavam tranqüilos, pois não havia no local autoridade para coibir os excessos. Somente no final da tarde, uma única viatura se posicionou em frente ao trevo que dá acesso à quadra 28, para coibir o trânsito na contramão. Mas algumas centenas de metros mais adiante, em frente à quadra 26, os motoristas voltavam a abusar.

No fim de tarde, quando o movimento já deveria ser menor, o morador Dynastes Marinho documentou em vídeo a continuidade do caos. Segundo ele, o caos foi ocorreu durante o dia inteiro.

“E o pior, vi carros do Detran, da Força Nacional de Segurança, da polícia civil, ônibus coletivo, caminhões pesados… todos utilizando normalmente a contramão da via. Com a maior cara de pau!!! E não era situação de emergência!! Isso é um completo ABSURDO!!” -comentou ele, nas redes sociais.

Confira no vídeo como estava o trânsito no Park Way

Carros trafegando na contramão sem nenhum constrangimento. Falta de policiamento permitiu o caos.

O vídeo de Marinho registra, ao 1,07 minuto, o uso da ciclovia pelos veículos, pilotados por motoristas impacientes e seguros da impunidade.

“Isso já passou do descaso, da irresponsabilidade, da falta de planejamento.. Isso é a completa ausência do estado!!!” – conclui Marinho

Drama

Os moradores dessas quadras que estavam voltando para casa tiveram muita dificuldade. Primeiro, enfrentar centenas de carros transitando na contramão. Quem dirigia de forma errada não admitia o erro e ainda ficava nervoso e agressivo quando se via obrigado a voltar à faixa de rolagem correta.

Um trajeto de 10 quilômetros, apenas, tomava mais de uma hora para ser percorrido. Motoristas insistiam em ligar ao 190 e a resposta incorreta que recebiam é que duas viaturas estavam no local e que tudo já estava sanado. Pessoalmente, perguntei em que quadra estavam as viaturas e o atendente informou que nas quadras 8 e 15. A quadra 15 fica em outro quadrante do Park Way, no caminho da Vargem Bonita, a mais de 15 quilômetros de distância de onde o caos reinava. Já a quadra 8, fica do lado oposto da BR-40 onde o sentido inverso, Plano Piloto-Gama.

Ou seja, as autoridades que cuidam da gerência eletrônica do policiamento e da segurança de Brasília, não conhecem a cidade em que atuam. Se alguém precisar de uma ambulância na Quadra 28 do Park Way, provavelmente, o 190 vai enviar o socorro para o outro lado do bairro.

Quem vinha do Gama, Santa Maria e cidades do Entorno Sul também se viram obrigados aenfrentar um engarramente de mais de dez quilômetros. Tudo pela falta de planejamento, que poderia ter definido vias com sentido único.

No mesmo momento em que reinava este caos, há poucos quilômetros dali, no Aeroporto de Brasília, uma viatura policial e seus dois agentes se deliciavam em multar quem levava um pouco mais de alguns minutos para deixar ou pegar algum passageiro.

As perguntas que se fazem é por que não houve ordenamento do transito, por que, apesar dos inúmeros apelos, apenas uma viatura foi ao local, por que o GDF não planeja com eficiência suas operações de trânsito.

 

No dia 18/10, recebi a seguinte mensagem da Administração regional do Park Way, via correio eletrônico:

 

Ao Senhor Chico Santana,
 
  Nos últimos meses os moradores do Park Way tem convivido com os transtorno causado por uma grande obra. Desde o início da construção do BRT a Administração Regional do Park Way tem trabalhado como interlocutora entre a comunidade, DER e o consorcio BRT Sul. 
  Durante este período enviamos mais de 40 oficios ao DER, realizamos reuniões entre o DER e a comunidade, entre os agentes públicos e sempre solicitamos a fiscalização nas vias e respeito ao morador, enviamos expedientes ao BPTran, e é assim que temos agido até hoje. Todavia  durante o processo de construção, considerando as dimensões da Obra que está sendo realizada, a situação atingiu níveis agudos do fluxo. 
  Para amenizar a situação o GDF proibiu o fluxo de caminhões em horários de pico, foram instalados redutores de velocidade para resguardar a segurança viária e muito em breve o DER vai finalizar o primeiro viaduto de ligação entre os dois sentidos da rodovia.
  Estamos cientes de que muito deve ser realizado para assegurar a comodidade e resguardar a qualidade de vida dos moradores do Park Way. Neste sentido enviamos oficio e marcamos reunião com as autoridades dos órgãos de para solucionar a demanda de patrulhamento nos casos em que o trânsito tiver de ser desviado para as vias internas do Bairro.
 
Atenciosamente,
 
Guilherme Rosa Guedes.
Chefe da Assessoria de Planejamento e Ordenamento Territorial da Administração Regional do Park Way.
Tel: 3486-6800
Anúncios