Antália à noitePoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna (pelo celular)

 

                Para Antônio Teixeira [em seus desafios da Ciência]

À noite não é a noite, mas só o nada vagando a esmo;

Sombra de temor, gravidade do sem rumo, crase alguma.

Então, qualquer pertença de lógica à vida se esboroa,

Como se o destino fosse o próprio não-ente, no desgoverno.

Estranho descanso, este balanço a oscilar no abismo.

 

Mas, basta uma semente de ilusão fixa, um simples retrato,

Para que as lembranças ganhem contorno de moldura

E até os mais lisérgicos devaneios encontrem geometria.

Quanto mais esses acenos de clarões adentro;

Vagalumes, pulsos interiores: fé, esperança e amor.

 

Súbito, desperto, puxo a campainha, hora de descer.

Segue o cortejo do desalinho, transporte de aleivosias,

Pelas estradas lamacentas dos fantasmas sem Oriente.

Na realidade não o eram, apenas essências de perfumes ocos;

Escuros evanescentes, brenhas filosofais do medo.

 

Outra vez, o dedo de Deus toca o indicador do filho,

Como na imaginação de um pintor, navegando abóbadas.

Ora, renascendo arte; ora, ainda há pouco, no meu leito.

Isto me lembra uma senhora, toda vez ao ver um ao arco-íris:

“Deus ainda está em paz com os homens”.

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