Por Luiz Martins da Silva

 

Uma tarde, numa aula de “História e Imaginário”,

vislumbrei de relance duas iniciais – “RF” -,

ainda remanescentes no couro curtido de uma cadeira.

 

O discurso percorrendo o tempo. Arqueologias.

A liturgia magistral. E eu a fixar-me

naquele monograma rude, um dia incandescente.

 

De um lado, ressonâncias do Barroco:

a procissão adentrando Vila Rica: “O Triunfo Eucarístico”.

De outro, o vento ainda à procura da outrora savana.

 

Pelas imensas vidraças, gigantescos bambuzais.

E o crepúsculo a fumegar réstias e respingos dourados.

“RF” me veio… assim, como raça dura. Indiana, zebu.

 

Docéis, carrocéis… Cruzes… Brocados… Rendas. Estatuária.

O carnaval sacro. E as epistemes. Os recortes, as hipóteses.

“RF”, ali, ainda brazonado, a servir de assento.

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