Depois de privatizar as riquezas do campo de Libra, no Pré-sal, o governo petista pensa em colocar ações do Banco do Brasil à venda para investidores internacionais.
Uma terça parte do patrimônio do BB poderia ir para o capital internacional, em especial para chineses.
Quem alerta é o jornalista César Fônseca.

Publicado originalmente no portal Independência Sul-americana

O Banco do Brasil é nosso.
Será que o Banco da China abriria seu capital para  30% de participação estrangeira?

Essa pode ser a bandeira que tremulará nas ruas brasileiras de agora em diante, depois da disposição anunciada pela presidenta Dilma Rousseff  de baixar decreto para vender aos estrangeiros até 30% das ações do Banco do Brasil, um dos maiores bancos do mundo, que dá lucros fabulosos e que tem sido o esteio do desenvolvimento nacional, em plena crise global.

Por que tomar decisão dessa natureza, agora, quando esquenta a campanha eleitoral?
Para dar uma bandeira política de bandeja aos que estão sem bandeira?

Trata-se de estratégia perigosíssima que tende dividir as próprias forças governistas. Privatizar a exploração do petróleo que está no fundo do mar, só valendo depois que sair de lá, para chegar ao mercado, depois de gastar muitos bilhões e bilhões de reais é uma coisa. Privatizar o Banco do Brasil que dá lucro sem precisar de nenhum capital externo, de nenhum aporte adicional, principalmente, externo,  porque ele é fonte de renda bilionária para o povo, jorrando lucros, em plena bancarrota do capitalismo, tornando-se braço direito do nacionalismo econômico nacional, é outra coisa muito diferente.

O Banco do Brasil é ouro puro.

Quem, afinal, vai comprar as ações do BB, senão os detentores de dólares dos quais buscam, desesperadamente, fugir, diante do perigo de as verdinhas se desvalorizarem brutalmente em face das incertezas brutais que tomam conta do capitalismo americano, abalado pela crise monetária especulativa que ele próprio embalou? 

Tio Sam joga enxurradas de papel moeda na circulação e esse dinheiro quente, que ninguém quer mais colocar no bolso, vira desespero global.

O que fazer com o dólar?

Essa é a grande pergunta que está na boca e no pensamento de todo e qualquer investidor, especulador, banqueiro, comerciante, industrial, jogador, etc.

Não há lastro real para a montanha de dólar que circula na praça global.

É nesse contexto que os chineses campeam mundo afora com os bolsos cheios de dólares dos quais desejam se safar, trocando-os por ativos mais seguros. Os chineses, que possuem uma parte dessa montanha de moeda desvalorizada, buscam sair dela. E que ativo mais seguro senão as ações do Banco do Brasil, que estão dando lucro fabuloso.

Com os dólares acumulados no comércio com os americanos, graças à sustentação do yuan sobredesvalorizado em relação ao dólar desvalorizado, artificialmente, pelas emissões sem lastro, por parte de Washington, os chineses fizeram a festa, nos anos de 1990, até o estouro da crise de 2007-2008.

Com os dólares que acumularam, modernizaram sua economia e partiram para estocar mercadorias das quais sua indústria manufatureira depende, para continuar o plano chinês de transformar a China na nova potência mundial.

Agora, jogam uma parte na África, trocando ativos reais pelas verdinhas; vêm para a América do Sul e fazem a mesma coisa, comprando, por exemplo, petróleo do pré-sal; idem, na Europa e na Ásia.

Enquanto isso, vão esperando pela derrocada do dólar, dando-lhes estocadas, tipo ameaça de juntar com os asiáticos para formar a moeda asiática e realizar com europeus comércio bilateral, em que as moedas de trocas não sejam mais as verdinhas americanas, mas o euro e o yuan.

Por que o BB?

Porque o BB tem como lastro real as próprias riquezas nacionais, suas matérias primas, seu mercado interno, sua base industrial etc. No momento em que a presidenta Dilma Rousseff abre as portas do BB para os dólares, dos quais os investidores tentam se safar, desde que achem bons negócios pela frente, o que dizer senão que está sendo doada a joia da coroa, sem que haja precisão alguma?

Os detentores de dólar, papel podre, que só se valoriza no Brasil às custas de injeções maciças de reais feitas pelo Banco Central, estão esfregando as mãos, depois dessa decisão governamental de vender sua maior fonte de ouro.

A prova de que o BB é ouro puro está sendo a sua pujança de ir adiante nos negócios de sustentar a economia brasileira acreditando naquilo que os banqueiros privados não acreditam, ou seja, no Brasil, preferindo fazer o jogo especulativo.

É claro que quanto mais vai se vendendo as ações do banco estatal menos, no futuro, ele vai poder desempenhar o papel de estabilizador de crises, dobrando as apostas no potencial econômico nacional, visto que ganharão sempre maior sonoridade as opiniões dos acionistas privados.

E onde esses acionistas ganharão hoje dinheiro senão jogando nos juros que se praticam no Brasil por intermédio de um banco estatal se cada vez mais vão adquirindo ações dele? Por que esses acionistas que acreditam no BB não compram letras do tesouro vendidas pelo BB, cuja valorização tem sido segura?

Não! Não querem comprar esse ativo volátil, que requer negociação permanente nos mercados, no sobe e desce das cotações; querem, sim, comprar direitos de propriedade.

Campanha eleitoral 2014, 

Esse, sim, é assunto para grande debate no Congresso, que agitaria o espírito nacionalista do povo brasileiro, sabendo que tem sido, justamente, o BB, junto com a Caixa Econômica Federal e o BNDES, os braços financeiros do governo, para executar o nacionalismo econômico distributivista de renda que assegura emprego, renda, produção, consumo, arrecadação e investimentos.

Teria alguma relação comparativa entre a venda de 60% do petróleo do poço de Libra e as ações do Banco do Brasil? Acreditamos que são coisas separadas.

No negócio do petróleo, quem chega com o dinheiro, chega, também, com a disposição de enfiar a mão no bolso para gastar a fim de encontrar o ouro negro debaixo da camada de pré sal. A Petrobras vai ter sócio para dividir os sacrifícios de achar o ativo que vale ouro e, depois do ouro descoberto, toda a transação gerará impostos para o tesouro nacional etc.

No caso do Banco do Brasil, não. O BB é o ouro do maior quilate, já descoberto, tratado e de rendimento seguro e líquido. Quem chega, não vai gastar nada, além de trocar seu ativo ruim, que, certamente, são dólares que se desvalorizam, por ativo ouro.

As controvérsias explodirão nos próximos dias, semanas e meses, adentrando-se campanha  eleitoral adentro, com grande risco de desgaste para a superioridade popular que Dilma apresenta nos institutos de pesquisas frente aos adversários oposicionistas, carentes de discursos e bandeiras.

Por que mexer com fogo, justamente, agora?
Que pressão é essa que leva a titular do Planalto, uma nacionalista, a partir para a privatização do BB, de forma tão apressada?
Isso mexe psicologicamente com o sentimento popular de forma violenta.
Cuidado, presidenta, podes estar entrando numa jogada errada, cujas consequências, para o Brasil, pode ser empobrecimento, e para sua candidatura à reeleição, derrota, se o assunto incendiar-se nas ruas, com as bandeiras tremulando:

“O Banco do Brasil é nosso!”

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