Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Let us go then, you and I
When the evening is spread out against the sky
Like a patient etherized upon a table.  

                                                                       T. S. Eliot

Quero de volta o meu direito ao tédio,

Créditos? Então que seja sob a forma de apatia,

Estirar-me, eu e tu, sobre uma esteira de vazio,

Eterizados como jacarés ardentes em leito de areia.

 

Ver o mundo brumo, sob o manto desta brisa rarefeita,

Torpar-se como se a existência fosse morna pausa;

Como se a inércia pudesse ser levada à séria causa

Das louças quietas de silêncios cristaleiros.

 

Ah! Mas que estrondo foi esse, logo, agora!

Redemoinhos arrebatando-me porta afora!

Que destino, este, de estar sempre em órbita

De um Planeta onde não há mais terra ignota.

 

Queria, por empatia, uma tulipa demi-sec,

Mas que antipatia! Nada vem sem jaça!

Até a cortesia se liquida numa praça;

Até o cotidiano se lavra em letra de contrato.

 

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