Flor Margarida de Cristina Fernand MarmoPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Cristina Fernand Marmo

Quando se olha uma flor,

São sempre dois modos de ser:

Um, carece de velar o que sente;

O outro sente, mesmo sem véu.

 

Quando um olhar é de amor,

Pode não ser pose de gente,

Mas, logo posse de outrem,

Que se quer noutro botânico.

 

Há um olhar que, de entrega,

Não roga foco de câmera,

Só requer nudez de alcova.

 

Mas há também oferendas,

Que, no pranto ou na alegria,

São faces de mútuo transplante.

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