Poema de Fim de Semana: Traduzindo manhãs

Jalapão agosto 2009 (136)

Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Ouço, vai amanhecer. São os trinados.

Logo mais, diante do espelho,

Contemplarei antimilagres,

Mais uma ruga, mais um fio alvo.

x

Há muito, eles se juntam.

Até que um dia não haja mais,

Serão notas, molho de harmonia:

Acordes desde o harmônio de uma nave.

X

Um dia, uma noite, no ar,

O próprio arquétipo:

Os símbolos sem as suas coisas,

Flutuando sobre um trigal ao luar.

X

Oro, pois, agora, já é hora

Da irreal fantasia.

Realizar-se-á o que foi acordado:

Alcançaremos a honradez prateada.

X

Ah! O tempo! Que o tememos algoz!

É manso, mas determinado rio,

Que se vai, descolorindo vaidades e fios,

Arrastando aluviões a caminho de uma foz.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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Uma resposta para Poema de Fim de Semana: Traduzindo manhãs

  1. Nailda Rocha disse:

    Lindo poema. Mestre, mais uma vez arrasou!

    Curtir

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