Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Claudia Komesu

 

Tarde dourada de pingos,

Tapetes de flamboyant.

Eis que uma delas atravessa a faixa,

Tal e qual vindo da fonte,

A que aos domingos simplesmente denomina-se:

Água Mineral.

 

Visivelmente, reforçava contornos,

Mestiçagem coleante, de pavão e serpente.

Seria até mais bronze se apenas gazela,

Mas atrapalhava listras,

Dificultando o foco.

 

Seria a singeleza do sabão esculpido,

Imortalidade anônima,

Arte do povo,

Feira da Torre.

 

Mas, era só modelo,

Fantasia de desfiles, passarela.

Narciso brejeiro, flor de TV.

 

Tardes fugidias, névoa seca.

Sonhos dispersos.

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