Por Luiz Martins da Silva

Guardo, no meu quarto, mas já sem pilha,

Jaz, lá, esse trambolho que um dia tanto

Prometeu, vindo das nuvens, doce maravilha,

Deslumbre, mas, logo, no prego, desencanto.

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Logro, fiar-me em alegrias deste mundo

De inutilidades para ingênuos viajantes.

Eterno amador, de boa fé, bem que eu fui ao fundo,

Por um triz, fui feliz, mais que um neto de Arcanjo.

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Oh! Meu Senhor! Quanta gente há, fingida.

Cretinos! Vendem alegrias para toda uma vida.

Antigamente, pelo menos se dava uma corda.

X

Hoje, brinquedos digitais, caleidoscópicos,

Sonoras companhias, música, animação,

Para logo dormirem, inertes, num montão.

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