Poema de Fim de Semana: Cios e Sinais

Por Luiz Martins da Silva

Vivo e sou parte viva dos prodígios.

Um a um, a se exibirem nos seus faustos,

A cada vez que se excedem dos Elíseos.

 

Eles vêm e se ostentam, vivos e vaidosos,

A cada estação com os seus ciclos e indícios:

Sagradas alegorias de um desfile pagão.

 

Agora mesmo, são as floradas amarelas.

E com elas, o apelo inconfundível dos aromas,

Acolhidos que somos à grande trama da polinização.

 

Creio que precisam dos nossos olfatos,

Ou, quem sabe, da comunhão completa dos afetos,

Para os rituais da exaltação extrema dos sentidos.

 

De nós, tomados por coniventes e testemunhos,

Querem que provemos dos seus milagres:

Um favo de mel; um gole puro do riacho…

Mas, sobretudo, com os seus ardores telúricos,

Pretendem ensinar que o amor, em contraparte,

Carece, no gozo, face-a-face, de sêmen, flores e frutos.

 

Os deuses e os dons são em si puros e unos,

Mas demandam de nós parcerias na estese,

Para que se cumpram na extensão de todo êxtase.

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Arte e Cultura em Brasília, Cultura, Literatura. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Poema de Fim de Semana: Cios e Sinais

  1. Nailda Rocha disse:

    O meu mestre se supera. Mais brilhante! Mais vibrante! Obrigada.

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s