Por Luiz Martins da Silva

Vivo e sou parte viva dos prodígios.

Um a um, a se exibirem nos seus faustos,

A cada vez que se excedem dos Elíseos.

 

Eles vêm e se ostentam, vivos e vaidosos,

A cada estação com os seus ciclos e indícios:

Sagradas alegorias de um desfile pagão.

 

Agora mesmo, são as floradas amarelas.

E com elas, o apelo inconfundível dos aromas,

Acolhidos que somos à grande trama da polinização.

 

Creio que precisam dos nossos olfatos,

Ou, quem sabe, da comunhão completa dos afetos,

Para os rituais da exaltação extrema dos sentidos.

 

De nós, tomados por coniventes e testemunhos,

Querem que provemos dos seus milagres:

Um favo de mel; um gole puro do riacho…

Mas, sobretudo, com os seus ardores telúricos,

Pretendem ensinar que o amor, em contraparte,

Carece, no gozo, face-a-face, de sêmen, flores e frutos.

 

Os deuses e os dons são em si puros e unos,

Mas demandam de nós parcerias na estese,

Para que se cumpram na extensão de todo êxtase.

Anúncios