Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

De verdade, de verdade, não existe.

Ele é só o lado avesso do sentido.

Mas, como hei de convencer a criança

De que ele não passa de uma sombra do arcaico?

 

Hoje, por desígnios de milênios,

Há um silêncio que expande a própria noite,

Feito elástico que só decorou plano de ida,

Momentos de vidas, eu sei, eles jamais voltam.

 

Imagino reter o mundo no ponteiro dos segundos,

Mas o rio é insistente no seu curso.

Águas se renovam, não os nossos rostos.

 

Nada há de garantia no cândido acalanto

De que o tempo é uma ilusão dos sentidos

Que só age nestes confins da nebulosa.

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