Por Luiz Martins da Silva 

 

 

Eles vivem de coisar,

Coisam daqui, coisam dali,

Pretexto e causa quaisquer.

 

Trata-se, bem claramente,

De economia de mente,

Em puro latim vulgar.

 

Coisa que têm em conta

Não Língua, mas alugar

Neutra palavra, verbo auxiliar.

 

Vão assim coisificando,

Coisa que coisa é negócio,

Ofício ócio de dizer.

 

Linguagem fácil do povo

Pra coisar o cotidiano,

Em modos de coisa zombar.

 

Homem faz coisa em mulher

Com nome que não se quer

À coisa que bem tem nome.

 

Mulher faz coisa com homem,

Que homem nem sonha juízo,

De mal-me-quer ou bem-querer.

 

Coisa aparece mistério

Em colóquio de boato,

Chacota e fofoca idem.

 

Pois até cor a coisa tem,

Quando a coisa não tá boa,

Nem pra mim nem pra ninguém.

 

Mas foi só uma excelência

À coisa em que gente, à toa,

Faz da fala uma lambança.

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