Por Luiz Martins da Silva

 

Por toda vida amei as palavras,

Como se por trás delas se escondessem,

de fato, os sentimentos.

 

Não tarde descubro,

cruamente: atrás do muro das palavras

só há o sentido.

 

Experiência fúnebre, fóssil de vida.

Melhor a palavra ainda em sendo dita,

Canção que ainda se espera não morra.

 

O sentido é, então, assim, como…

Paiol de folhas secas, recordações

Do que um dia foi sangue.

 

Palavras são ex-votos de corações.

Ocasos, sombras, vestígios, lembranças.

Imagens do que poderia ter sido.

 

Que palavra tem o poder de deter

A mão que mata?

O desamor que abandona?

 

Palavras não chegam,

Se chegam tarde.

Inúteis pêsames

Se o humano já se foi.

 

Tem o sentido

A insistência informe,

Do que se sabe tardio, mas

Ainda à procura de palavras certas.

 

Aí, palavras já não são

Algodão

Doce.

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