Custo do Mané Garrincha chega perto de R$ 2 bi e ainda não acabou

O novo símbolo da capital: as novas notas de empenho somam R$ 123 milhões.
Foto de Tomas Faquini / Portal da Copa-ME.
Por Lilian Tahan, publicado originalmente no Blog Grande Ângular/Veja Brasília.

De milhão em milhão, o Estádio Nacional Mané Garrincha caminha para apresentar à sociedade brasiliense uma fatura na casa dos 2 bilhões de reais. Desde que a obra foi contratada, em 2010, o governo fez uma série de reajustes no projeto-base que até agora somam 123 milhões de reais ao custo final da empreitada. Esses valores não foram divulgados no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), mas estão registrados em notas de empenho às quais VEJA BRASÍLIA teve acesso.

Os acréscimos ligados a reajustamentos na obra começaram a ocorrer a partir de 23 de setembro de 2011. Desde então, foram emitidos 47 aditivos em favor da Via Engenharia S.A. e da Andrade Gu­tierrez S.A., duas das empresas contratadas para erguer o palco esportivo. Juntas, as empreiteiras formam o Consórcio Brasília 2014. Só em adendos, essas construtoras receberam 118,6 milhões de reais. Os dois pagamentos mais recentes foram liberados em 24 de fevereiro para a Andrade Gutierrez. Além da quantia destinada ao complexo, outros 4,73 milhões de reais foram pagos ao consórcio Entap-Protende-Birdair, responsável por fazer a cobertura do Mané Garrincha.

O curioso é que as despesas extras continuam a ser feitas apesar de o estádio ter sido entregue há quase dez meses, em 18 de maio de 2013. Nesse período, a arena foi sede de shows e várias partidas de futebol, inclusive da Copa das Confederações. Uma vaga justificativa para investir em uma obra inaugurada, testada e retestada consta na descrição de pagamentos das tais 47 notas oficiais de empenho: “referente à obra de reforma e ampliação do estádio”.

Trata-se da empreitada pública mais cara de Brasília na última década. Somente o contrato principal de construção e reforma custou ao Tesouro lo­cal 1,17 bilhão de reais. Além desse valor, outros 424,5 milhões de reais foram pagos — ou estão em fase de contratação — para bancar serviços complementares, como a colocação de assentos, a instalação do gramado e a montagem da cobertura (veja os principais no final da matéria). Há ainda mais 285 milhões de reais referentes a intervenções de paisagismo e urbanização de locais adjacentes ao estádio, chamados pelo Palácio do Buriti de “entornão” do Mané Garrincha. A soma desses valores alcança a cifra de 1,879 bilhão de reais.

O governo tenta diminuir o desgaste decorrente do alto custo separando despesas feitas no contexto da Copa. A manobra é pouco convincente. De acordo com a Coordenadoria de Comunicação para a Copa (Comcopa), o estádio teve seu cronograma de obras antecipado em oito meses, mas não estava pago em sua totalidade na inauguração da arena. “Uma obra entregue não é necessariamente uma obra paga”, diz a instituição governamental. Segundo a Comcopa, o custo do estádio fecha em 1,4 bilhão de reais, pois o governo não considera os valores pagos, por exemplo, em paisagismo e urbanização planejados em função da nova arena. “São recursos para a cidade, para a área central, e não para o estádio em si”, afirma a Comcopa. Quanto às 47 notas de empenho de reajustamento, o governo afirma que se trata de “atualização monetária” e que, por isso, não haveria a obrigatoriedade de publicação no Diário Oficial. A Via e a Gutierrez foram procuradas, mas informaram que a Comcopa centralizou as informações referentes a essas obras. Com a brecha legal para a emissão desses aditivos, a definição da conta final de nossa arena talvez tenha o céu de Brasília como limite.

Embora a reportagem acima, de autoria da jornalista Lilian Tahan, tenha ouvido a Coordenação de Comunicação da Copa,esta resolveu enviar um pedido de publicação de nota de esclarecimento aqui no blog Brasília, por Chico Sant’Anna.

Fiéis aos nossos princípios do direito de resposta e de pluralidade da informação, trascrevemos aqui o posicionamento do GDF, apesar de entendermos que ele deveria ter sido destinado à Revista Veja Braília.

“Esclarecimento ao site Brasília por Chico Sant’Anna

 

Brasília, 10 de março de 2014 – Em relação à matéria “Custo do Mané Garrincha chega perto de R$ 2 bi e ainda não acabou”, publicada originalmente pela revista Veja Brasília e reproduzida por este site, a Coordenadoria de Comunicação para a Copa (ComCopa), do Governo do Distrito Federal (GDF), ESCLARECE  que:

Não se pode dizer que o Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha está ficando cada vez mais caro, embutindo em seu custo projetos que não se referem à obra da arena. Uma coisa é custo da obra do estádio e outra, diferente, são os investimentos realizados em melhorias de infraestrutura na cidade.

Na valor que a reportagem calcula como custo do estádio, são computados equivocadamente recursos para “paisagismo e urbanismo” referentes ao projeto de REVITALIZAÇÂO DA ÁREA CENTRAL de Brasília.   O projeto inclui, por exemplo, obras de urbanização no SETOR HOTELEIRO. Portanto, esses recursos não podem ser considerados custo da arena. Setor Hoteleiro não é estádio

O pacote de ações de revitalização da área central de Brasília,  que chega a cerca de R$ 300 milhões, compreende dez projetos, entre eles obras viárias. A foto referente a esse projeto induz ao erro ao mostrar o entorno do estádio.

É preciso destacar que o Governo do Distrito Federal alcançou o maior índice de transparência entre as 12  cidades-sede, de acordo com levantamento do Instituto Ethos, organização não governamental que atua na área de gestão socialmente responsável. E recebeu nota máxima em participação popular na aplicação desses recursos.

A reforma e a ampliação do Mané Garrincha, citadas na matéria, não são referentes ao NOVO estádio, mas em relação ao antigo. Não existe nova reforma e ampliação do estádio.
Como também NÃO foram realizados 47 novos aditivos ao contrato. Não são aditivos, são notas de previsão de pagamento de atualização monetários de contrato da obra, estabelecido pela legislação que rege contratos de forma geral.
Vale ressaltar que para cada R$ 1 investido no estádio, o Governo do Distrito Federal assegurou outros R$ 3 para infraestrutura, mobilidade urbana e segurança no DF, o que ficará como legado dos grandes eventos para a cidade. Um indutor de desenvolvimento econômico da cidade e geração de empregos.

Samanta Sallum
Coordenadora-chefe de Comunicação para a Copa. “

Anúncios

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Ética na Política, Brasília - DF, Copa 2014, Copa do Mundo & Olimpíadas, Esportes, Futebol, GDF, Gestão de recursos públicos, Mané Garrincha e marcado , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para Custo do Mané Garrincha chega perto de R$ 2 bi e ainda não acabou

  1. Pingback: Ministério público: gramado do Mané Garrincha foi superfaturado. | Brasília, por Chico Sant'Anna

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s