Guadalajara - esculturaPoema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

 

Eros satisfeito, músculos aplacados,

De volta à sua dormência de Cupido,

[Anjinho roliço, flecha disparada],

Novelo ruminando ninho, tecendo calma.

 

Hypnos se achegando lentamente,

A se espraiar como num efeito anestésico.

Baco acredita que um Fauno derreado

Merece ainda um último gole apetecido.

 

Mas é tão somente o lacre de uma jornada,

Mais uma de um Ícaro estatelado,

Depois de fainas, sobrevoos e devaneios.

 

Lar, doce lar, pouco menos que um Olimpo.

Uma existência que se vai, quase indormida.

No horizonte do silêncio aeroplanos vagalumam.

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