Com base na revista Exame

Não é só a Crimeia, envolvida no conflito Ucrânia e Rússia, cuja a população deliberou, no último dia 16, por 93% dos votos colhidos, participar da Federação Russa enquanto estado autônomo, que busca sua autodeterminação. No mundo, quatro outras consultas parecidas estão marcadas para este ano de 2014.

Três destes processos separatistas acontecem na Europa Ocidental, a mesma que busca construir a União Européia, e o quarto processo é na América do Norte.

Se no resultado das consultas populares, o povo dessas localidades votar a favor da independência, quatro novas nações poderão surgir no mapa-múndi – o que dependeria, é claro, da “boa vontade” do governo central e de todo o processo legal necessário.

Veja a seguir onde sopram os ventos do separatismo:

Veneza

De 16 a 21/3, os eleitores da cidade italiana de Veneza, que no início da história do mundo foi uma cidade república, estará votando online em um referendo sobre cortar ou não os laços com Roma. A independência englobaria a província de Veneto e o país poderia se chamar “República de Veneto”.

Dos quatro milhões de italianos que devem votar, 65% é favorável à independência, segundo pesquisas prévias. O resultado não terá bases legais. Ou seja, se o povo da região optar pelo “sim”, Veneza não irá se separar imediatamente da Itália.

Se o “sim” ganhar, as autoridades locais escreverão uma carta de independência, que será apresentada ao governo italiano. Contudo, as autoridades de Veneza provocam. Dizem, por exemplo, que já começarão a reter os impostos locais – em vez de enviá-los a Roma – se o “sim” vencer.

O espírito separatista tem base no passado de glórias e prosperidade da cidade, que acabou com a tomada da região por Napoleão em 1797. Depois, a cidade ficou décadas sob o império austríaco e, em seguida, sob a nova república italiana.

Catalunha

A região espanhola tem um referendo marcado para 9 de novembro. Nele, será perguntado aos espanhóis locais se eles querem que a Catalunha seja um Estado e, além disse, se deve ser um Estado independente da Espanha.

As pesquisas mostram que 44,1% é a favor da independência e 30,4% se diz contra. Ainda há 17,3% de indecisos. O governo espanhol pretende impedir a votação, dizendo que ela é ilegal. A região mais rica que outras partes do país e se sente prejudicada quando vê a nação como um todo em forte crise econômica há anos.

Os 7,5 milhões de espanhóis que vivem na região se identificam à parte da Espanha por ter uma cultura e uma língua específicas.

Escócia

No dia 18 de setembro, os escoceses votarão em um referendo sobre a independência em relação ao Reino Unido. Cerca de quatro milhões de pessoas irão votar. Segundo as pesquisas iniciais, somente 32% votará a favor da separação.

Para a maioria, se separar do Reino Unido e da Inglaterra seria algo negativo, por conta da perda de “poder”. O governo britânico tenta dissuadir os escoceses da ideia, lembrando-os, principalmente, que a economia local seria fortemente afetada: a Escócia teria que mudar de moeda e também teria de percorrer um caminho próprio caso quisesse fazer parte da União Europeia.

A bandeira da Grã-Bretanha (Union Flag) também teria seu desenho alterado caso a Escócia se separasse. Atualmente, ela mescla as cruzes de Saint George (Inglaterra), Saint Andrew (Escócia) e de Saint Patrick (Irlanda).

Québec

Na América do Norte, o processo separatista acontece no Canadá, na província francofônica do Quebec. No dia 7 de abril, acontece as para a Assembleia Nacional e, segundo as pesquisas, o partido separatista Parti Quebecoise deve conquistar a maioria dos assentos.

Assim que conseguir a maioria, o partido deverá forçar um referendo para separar a província do restante do Canadá. O partido tem forte apoio entre os canadenses que falam francês. Seus opositores, o Partido Liberal, querem que a província peça “apenas” maior reconhecimento constitucional do governo central de que é uma região autônoma.

Contudo, a maioria dos canadenses não se anima muito com a ideia de independência: 54% considera que o referendo não deveria existir e, caso ele existisse, 59% votaria contra a separação.

 

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