Casebre colonial

Poema de Luiz Martins da Silva. Foto de Chico Sant’Anna

Das cascas das árvores

Passaram para as manchas do sol;

Para as manchas da pele;

Para os fundos dos olhos;

Para os rejuntes e rebocos;

E, por fim, tisnaram casarios.

 

Formam os mais estranhos alinhavos,

Numa lógica mais aleatória

Do que a física fractal.

Creio que seguem a antilógica

A antigramática das coisas podres

Que regem a decomposição nos quintais.

 

Porfio o tempo admirando velharias,

Essas meditações do devaneio

De quem na seca sonha lhufas

Inesperadas goteiras de lamaçais.

Seriam somente sementes de fungos,

Musgos, liquens do tempo encalhado.

 

De certo existem por todas as partes,

Aonde quer que haja velhas cracas.

São registros, certidões da história

Das cidades-patrimônio, memórias

Mais firmes que a letra dos cartórios,

Emoções gravadas por cima dos beirais.

Anúncios