Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Uiraçu

ave hárpia Cruvinel2

Sugerido como ave símbolo de Brasília, o uiraçu, ou hárpia, no Distrito Federal, só é encontrado hoje no Jardim Zoológico. Foto Flávio Cruvinel Brandão.

Texto de Chico Sant’Anna, com base na WikiAves,
a Enciclopédia das aves do Brasil.
Fotos de Margi Moss e Flávio Cruvinel

Quando da chamada Marcha para o Oeste brasileiro, entre 1947 e 1957, os pesquisadores encontraram entre os índios do Xingu grandes apuins, gaiolas feitas com vara de madeira com mais de cinco metros de altura, instaladas numa área limpa, sem vegetação, sobre o chão da terra. Nelas, os indígenas apreendiam o uiraçu. Dentre os povos Kalapalos, era comum a existência de máscaras, tipos capacetes,adornadas como penas do uiraçu.

Estudiosos em aves, como o alemão Helmut Sick, ornitólogo que veio para o Brasil às vésperas da Segunda Guerra Mundial, interpretam tal comportamento, pelo fato de a ave representar para esses povos uma simbologia do poder. Era comum encontrar caciques com vestes feitas com penas da cauda do uiraçu.
Ele é a mais pesada e uma das maiores aves de rapina do mundo, com envergadura média de 2,5 metros e peso de até 10 quilogramas. O macho mede cerca 57 cm de altura e pesa 4,8 kg. A fêmea mede cerca de 90 cm de altura e pesa até 9 kg.

ave hárpia Margi Moss2Embora não seja a maior das aves predadoras do planeta, é tida como a mais forte. Possui um bico potente e suas guarras são maiores que as do urso pardo americano, suas pernas tem a grossura de um punho de um homem adulto. Pode erguer mais de 3/4 de seu peso. As garras da harpia são tão fortes que são capazes de esmigalhar um crânio humano. 

Também conhecido como guiraçu, uiruuetêuraçucutucurim, uiraçu-verdadeirogavião-real, gavião-de-penacho ou hárpia, o uiraçu, da família Accipitridaeé o maior exemplar dos falconiformes brasileiros e também o mais forte. “Uiruuetê” é um termo tupi que contém o termo e’tê, “verdadeiro” e “Uiraçu” também um termo tupi, significa “ave grande”.

O nome ocidental, hárpia, vem do latim harpë = ave de rapina, provavelmente uma ave mítica, harpuiai harpias que era metade abutre e metade mulher. qui no DF acho que esse registro será bem difícil, a ultima noticia que tive de avistamento da espécie que havia mais de 30 anos foi um registro em Pirenópolis e ocorreu que encontraram uma especie ferida por tiro, aqui no DF não sei de nenhum registro, conheço quem tem registro dela, mas foi na região norte (Amazonas e Pará).

Existem oito espécies de águias no Brasil, dentre elas a harpia (Harpia harpyja). É uma predadora especializada na captura de macacos e bicho-preguiça. É uma águia florestal muito rara, vive somente no interior de florestas densas e matas de galeria.

Símbolo do DF

O pesquisador Roberto Gonçalves de Oliveira entende que pelas características do uiraçu, ele deveria ser guindado ao posto de ave símbolo da Capital Federal, Brasília. Entretanto, segundo o observador de aves, Rodrigo D’Alessandro, não existiria nenhum ato legal atribuindo tal patente.

Segundo ele, qualquer iniciativa legislativa neste sentido deve causar polêmica, pois há quem defenda, como ele, que o macuquinho de Brasília reúne maiores credenciais para se beneficiar com  um título desse.

Símbolo oficial, ou não, o certo é que o uiraçu aparece em várias páginas na Internet como ave símbolo de Brasília e também do Estado do Amazonas. Está desenhado no brasão de armas do estado do Paraná, no Brasil. É o símbolo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. É também símbolo e estampa o escudo da tropa de elite da Polícia Federal do Brasil, o Comando de Operações Táticas. Em 1968, quando do 150º aniversário do seu descobrimento, ele foi alvo de homenagem em selo da empresa dos Correio.

ave hárpia Margi Moss

Sonho de consumo dos fotógrafos observadores de aves,a hárpya só tem sido fotografada na natureza bem longe do Distrito Federal. Foto de Margi Moss.

Pode ser encontrada em regiões florestais remotas, sobretudo na floresta amazônica e nas pouquíssimas áreas verdes preservadas de mata atlântica. Elas migram em algumas épocas do ano para o estado de São Paulo.
São encontradas também do México à Argentina, com destaque para a Bolívia. É pássaro nacional e está desenhada no brasão do Panamá.  Apesar dos relatos de sua presença na Região Centro-Oeste do Brasil, segundo informa o observador de aves Marcelo Araujo, infelizmente não há registro recente do gavião real (Harpya) aqui no DF. “A última noticia que tive de avistamento da espécie tem mais de 30 anos e foi um registro em Pirenópolis. Encontraram uma exemplar ferido a tiro”.

Herbert Schubart registra que em 2013, foi noticiado que um fazendeiro baleou uma hárpia em Cocalzinho-GO! “Aqui no DF, não sei de nenhum registro, conheço quem tem registro dela, mas foi na região norte (Amazonas e Pará) – complementa Marcelo Araújo. Apesar de sua distribuição abranger todo o Brasil, atualmente esse espécie é considerada quase ameaçada, pois exige grandes áreas preservadas para seu desenvolvimento sustentável. – diz Rodrigo D’Alessandro.

Fotografar o gavião-real, é o sonho de consumo dos observadores de aves no Planalto. Para esta coluna, consegui contribuições de apenas dois fotógrafos: Margi Moss, que o fotografou em Vilhena, Rondônia, portanto, bem longe do perímetro do Distrito Federal, e Flávio Cruvinel Brandão, que fotografou um exemplar aprisionado no Jardim Zoológico de Brasília.

Veja e ouça aqui o canto do Uiraçu, nas imagens de João Marcos Rosa

habitat principal são as árvores altas, dentro de vasta mata, onde constrói seus ninhos. Conforme pode ser observado no mapa ao lado, são raras as ocorrências da harpia em território do Distrito Federal. Outrora presente nas áreas de florestas e no cerrado brasileiro, ele hoje está no topo da lista das aves brasileiras em extinção. Tem um crescimento populacional muito lento. Este fato, associado à destruição de grandes áreas florestais e à caça indiscriminada, torna a espécie ameaçada de extinção em nosso País.

Estado de Conservação
(IUCN 3.1)


Quase Ameaçada

ave hárpia CruvinelPrograma de Conservação do Gavião-Real

Criado em 1997 pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o projeto busca proteger o gavião-real de suas principais ameaças: a caça e o desmatamento. A despeito do tamanho e da força, o gavião-real é frágil. Reza a lenda na floresta que a ave de garras afiadas ataca pessoas e come crianças, o que estimula a matança.

As harpias são monogâmicas, unindo-se por toda a vida. Elas fazem ninhos em árvores muito altas, com galhos bem separados, de até 40 metros de altura. O casal dá uma cria a cada dois ou três anos. O período reprodutivo vai de junho a novembro e o período de incubação é de 2 meses. As fêmeas depositam um ovo ou dois, mas, caso ambos os ovos sejam incubados com sucesso, em condições naturais somente o primogênito sobrevive, já que o filhote maior invariavelmente matará o menor (este “cainismo” é comum a várias espécies de águia, e permite estratégias de conservação baseadas na remoção do filhote menor do ninho para criação artificial). Em 15 de janeiro de 2009, nasceu um filhote de harpia no Refúgio Biológico de Itaipu. Com 100 gramas de massa, é o primeiro filhote a nascer com sucesso em cativeiro no sul do Brasil.

O avanço da fronteira agrícola e da retirada de madeira para a venda é outro fator de risco, uma vez que a espécie precisa de grandes áreas preservadas para sobreviver e só entrelaça o ninho nas árvores mais ascendentes. Para resguardá-la, não resta outro caminho que não a conscientização.

ave hárpia Cruvinel3Hábitos

É rápida e possante em suas investidas. É tão forte fisicamente que consegue erguer um carneiro sem maiores dificuldades. Ela voa alternando rápidas batidas de asa com planeio. Tem um assobio longo e estridente e, nas horas quentes do dia, costuma voar em círculos sobre florestas e campos próximos. As harpias conservam energia se empoleirando silenciosamente, vendo e ouvindo por longos períodos de tempo. Elas caçam com curtas e rápidas investidas. As fêmeas, maiores, caçam presas mais pesadas do que os menores, mais ágeis e rápidos machos. Estas técnicas complementares podem aumentar as chances de sucesso na obtenção de comida. Grandes presas, como preguiças e macacos, costumam ser consumidas parcialmente até poderem ser transportadas para o ninho.

Descrição

Ambos os sexos têm uma crista de penas largas que levantam quando ouvem algum ruído. Como as corujas, elas têm um disco facial de penas menores que pode focar ondas sonoras para melhorar suas capacidades auditivas. A harpia possui, como principais características físicas, olhos pequenos, um longo topete, a crista com duas penas maiores e uma cauda com três faixas cinzentas, que pode medir até 2/3 do comprimento da asa.

Esta ave da família Accipitridae possui asas largas e redondas, pernas curtas e grossas, e dedos extremamente fortes, com enormes garras, capazes até de levantar um carneiro do chão. Sua cabeça é cinza, o papo e a nuca, negros, e o peito, a barriga e a parte de dentro das asas, brancos. Tem entre 50 a 90 centímetros de altura, uma envergadura de até 2,5 metros e um peso variando entre 4 e 5,5 quilogramas quando macho e entre 6 e 9 quilogramas quando fêmea.

Elas se aproximam morfologicamente (não se sabe se filogeneticamente) de várias outras aves de rapina tropicais de grande porte, tais como a águia-coroada africana, a águia-das-filipinas e a águia-da-nova-guiné. Todas essas são chamadas de “águias-pega-macaco” em suas localidades de origem devido ao grande porte, que coloca animais maiores, como macacos, em seu cardápio.

Gostou da leitura?

Abaixo, 41 outras aves comuns à Capital Federal.
Clique no enlace e confira. 

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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Brasília - DF, Cerrado, Fauna & Flora, Meio ambiente e marcado . Guardar link permanente.

7 respostas para Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui o Uiraçu

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