Brasília perde mais um de seus mentores, poder-se-ia dizer, mais um de seus compositores: João da Gama Filgueiras Lima: Lelé, para os amigos.

Arquiteto brasileiro de mão cheia, inovador na arte do concreto e da argamassa armada. Sua obra é reconhecida nacional e internacionalmente.

Em Brasília, os projetos que desenvolveu para à Rede Sarah de hospitais são um destaque, ao lado do do Memorial Darcy Ribeiro, o beijódromo, na Universidade de Brasília. Ao lado de arquitetos como Lúico Costa e Oscar Niemeyer, de quem foi discipulo, Lelé deixou escrito seu nome na história de Brasília. Apesar de ter nascido, crescido e se formado no Rio de Janeiro, passou a maior parte da vida adulta em Brasília e em Salvador, onde foi agraciado com o título professor Honoris Causa da Universidade Federal da Bahia, em 2003.

As duas sedes da Rede Sarah de Hospitais em Brasília marcam dois momentos da técnica de Lelé Filgueiras

Os projetos dele vão além da Capital Federal – para onde se mudou ainda em 1957, ano em que foi iniciada a implantação do Plano Piloto de Lucio Costa.

Elas encontram-se especialmente nos estados da região Nordeste do país: destaque para Aracaju, Cuiabá, Teresina e Salvador. Na capital bahiana, levam a sua assinatura o Palácio Tomé de Sousa e o Centro Administrativo da Bahia. Marca registrada da maioria de suas obras são os painéis coloridos do artista plástico Athos Bulcão.

Lelé, que foi professor na UnB de 1962 a 1965, projetou o Memorial Darcy Ribeiro, o Beijódromo.

Lelé foi professor na UnB, de 1962 a 1965, e fez parte, ao lado de nomes como Pompeu de Souza e Waldir Pires, de um grupo de acadêmicos que pediu demissão junto a 209 professores e servidores, em protesto contra a repressão na universidade. Em 1990, no processo de anistia, foi reintegrado à Universidade de Brasília.

Marca registrada da maioria de suas obras são os painéis coloridos do artista plástico Athos Bulcão.

Lelé, segundo os especialistas, buscava desenvolver a tecnologia de racionalização do uso do concreto armado. 

Foi um especialista nas chamadas construções pré-fabricadas, como é o caso do Hospital Sarah, todo feito a partir de placas previamente moldadas e concretadas. Uma técnica que ele foi buscar em países como a Polônia e as extintas União Soviética e Tchecoslováquia.

É dele o projeto dos CAICs – Centros de Atenção Integral à Criança, criados nos governos Collor e Itamar, com base nos CIEPs do governo de Leonel Brizola, no Rio de Janeiro, e que se destiavam ao ensino público em tempo integral.

Recentemente, Lelé atuava como diretor do Centro de Tecnologia da Rede Sarah (CTRS), onde desenvolvia novo os projetos de hospitais da rede. Sua criatividade ia além dos edifícios. Desenvolveu mobiliários hospitalares, entre os quais destaca-se uma cama-maca móvel utilizada bastante pelos hospitais da rede.

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