Por Luiz Martins da Silva

Eu vejo estas carrancas

Do São Francisco

De crianças e velhos

Sorrisos desbotados.

 

Elas não afugentam

Os maus espíritos

Da pobreza.

 

E, por isso,

O rio corre.

Leite e mel

Vão bater no mar.

 

Rio Chico,

Rio fraco,

Riso frouxo.

 

O mar virá um dia

Ao sertão: será mar

Amor de rosas, uvas…

Fartura nas alturas.

 

P. S.: Interferência sobre poema,
original no livro Rua de Mim,
Tempo Brasileiro,
Rio de Janeiro, 1977, p. 26.
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