Morre o líder do Santuário dos Pajés

Faleceu decorrente de problemas cardíacos, Alece Santxiê, liderança do movimento de fixação do Santuário dos Pajés, em Brasília. Em função de sua função religiosa e pacífica, a área, no coração do Setor Noroeste, foi designada, nos anos 1960, Santuário. Foto de Antonio Jacinto Indio

Por Marcos Terena

O meu grande amigo e guerreiro de verdade Satxie partiu hoje para o campo eterno.

O conheci no RJ quando estudava e fazia estágio na Petrobras no final dos anos 70. Sempre inteligente falava da importância do empoderamento indígena como ter um Deputado Federal e um Índio na Presidência da Funai.

Com sua visão espiritual decidiu morar no meio do mato em Brasília mas depois me explicou que era um lugar de águas sagradas quando ninguém pensava em ecologia… Criava muitos animais e cultivava plantas medicinais e jamais aceitou qualquer apoio paternalista, até que o GDF com Paulo Octavio e Terracap decidiram criar um novo bairro em Brasília, o Setor Noroeste um dos mais caros da cidade…

Para relembrar dos fatos da resistência do Santuário, leia mais:

Então Santxie fincou o pé na base da celebração para defender sua visão tradicional holística e despertar uma consciência ecológica e de ocupação urbana dentro de Brasília com apoio de vários cidadãos, professores e alunos da UnB.

Assim o Bairro Noroeste foi obrigado a aceitar um pedaço de aldeia e área verde no planejamento imobiliário. Sempre foi meu amigo e por isso presto uma homenagem a ele postando as fotos abaixo, quando fez uma cerimônia quando assumi em 2007, a Diretoria do Memorial dos Povos Indígenas em Brasília! Grande Guerreiro! Grande Irmão! ========================================================== A comunidade indígena Tapuya-Fulni-ô e familiares estão recebendo doações e colaborações para despesas funerárias e apoio à família.
Quem puder ajudar colabore transferindo qualquer quantia para as contas abaixo:

  • Banco do Brasil: Ag: 2872-x Poupança nº: 200160-8 (variação 51)
  • CAIXA Ag: 1039 Operação: 003 CC: 40324-5
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Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
Esse post foi publicado em Asa Norte, Brasília - DF, Desenvolvimento Urbano, Desigualdade Social, Direitos Humanos, Discriminação, Discriminação, GDF, Intervenções Urbanas, Minorias sociais, Movimentos sociais, Noroeste, Parques & Reservas, Povos indigenas, Terra & Grilagem, Urbanismo. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para Morre o líder do Santuário dos Pajés

  1. Frederico Flósculo Pinheiro Barreto disse:

    Parabéns, Chico SantÁnna! Mais uma excelente e oportuna matéria. O Santuário dos Pajés está no coração do Brasília e representa algo surpreendente para a cidade, de vida cultural tão “brega” na versão dos governantes: uma oportunidade autêntica de resgate de etnias notoriamente vilipendiadas na Capital. Santxiê foi desrespeitado por autoridades “competentes” como a própria FUNAI, que faz uma advocacia tão sutil, mas tão sutil, dos direitos indígenas, que, no caso, faz muito mais a advocacia das construtoras, da turma do Paulo Octávio. Lamentável FUNAI. Quando vejo alguns dos meus colegas urbanistas – sobretudo o grande grupo mais ligado à TERRACAP e ao lobbismo imobiliário – expressar seu ódio contra causa do Santuário, eu tenho certeza de que a sua defesa é a coisa mais certa a fazer!

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