Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui a Arara-Canindé

Arara Canindé EvandoLopes 2closeTexto de Chico Sant’Anna, com base na WikiAves, a Enciclopédia das aves do Brasil. Fotos de Evando F. Lopes

A arara-canindé (Ara ararauna, Linnaeus, 1758), também é conhecida como arara-de-barriga-amarela, arari, arara-amarela, arara-azul-e-amarela, araraí e canindé.

Da família dos psittacidae, é uma das mais conhecidas representantes do gênero Ara, sendo uma das espécies emblemáticas do cerrado brasileiro e importante para muitas comunidades indígenas.

A etimologia nos ensina que o nome arara é mais uma contribuição dos povosindígenasao glossário do português praticado no Brasil. Arara e Canindé provém do tupi a’rara  kanimé.

Características

Os indivíduos desta espécie pesam cerca de 1,3 quilogramas e chegam a medir até noventa centímetros de comprimento. Sua plumagem apresenta basicamente duas cores: o azul da parte superior e o amarelo da inferior, principalmente região ventral. A garganta e as fileiras de penas faciais são pretas sobre o rosto glabro e branco, olhos de íris amarela e garganta negra.

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O bico é negro, forte, alto e curvado, adaptado para cortar sementes duras. O maxilar é branco, com a parte inferior negra.  Têm uma longa cauda triangular, asas largas, um bico escuro grande e forte e as típicas patas zigodáctilas dos psitacídeos, com dois pares de dedos opostos, o que lhes dá grande destreza para escalar árvores e manipular os alimentos. Arara Canindé EvandoLopes 3

As araras-canindé vivem em habitats variados, desde a floresta tropical úmida até savanas secas. No Pantanal, sua ocorrência é rara. Vivem preferencialmente no estrato arbóreo superior e em proximidade da água.

Essas aves, como outros membros de sua família, são gregárias e barulhentas, podendo viver em comunidades numerosas, mas grupos pequenos ou mesmo apenas casais com crias também são comuns. Podem passar longos períodos do dia em repouso, relacionando-se com companheiros ou fazendo acrobacias no alto dos galhos.

Voam em pares ou em grupos de três indivíduos, frouxamente ligados a um grupo maior. São grandes voadoras e podem transpor grandes distâncias entre os locais de repouso e nidificação e os de alimentação a cada manhã e tardinha, e tipicamente seus gritos são ouvidos muito antes de as aves serem vistas. Ocasionalmente alguns exemplares podem ser encontrados a grande distância de suas áreas de frequentação habitual.

No século XIX, as araras-canindés foram alvo de inspiração de pintores europeus, tais como Edward Lear e sua pintura Blue & yellow Maccaw, (à esquerda) e  do polonês Józef Simmler, com Nobleman with a Parrot (à direita).

Na filatelia, atravessou os mares e foi homenageada pelos correios da Alemanha, Rússia e Paraguai, no século XX. No Brasil, foi escolhida pela Casada Moeda para estampar a cédula de R$ 10,00.

Hábitos e reprodução

Uma vez que formam casal, não mais se separam. Se em sua região os locais para nidificação são escassos, casais podem expulsar ou matar ocupantes de ninhos já estabelecidos. Nidificam a cada dois anos entre agosto e janeiro, em buracos que escavam nos troncos de árvores e palmeiras. A serragem resultante se acumula no fundo e serve para secar as fezes e acolchoar os ovos, em geral dois, podendo chegar a cinco, que a fêmea, principalmente, choca por cerca de 25 dias.

O macho alimenta a fêmea durante este período e protege o ninho de invasores. Um estudo realizado no Parque Nacional das Emas, monitorando dezoito ninhos, indicou uma taxa de natalidade de 72%. Os filhotes nascem implumes, cegos e indefesos, e são alimentados por ambos os pais com frutas e sementes regurgitadas, permanecendo no ninho por três meses. Mesmo depois de aprenderem a voar as crias permanecem com os pais por até um ano inteiro, e atingem a maturidade sexual somente depois de três ou quatro anos. Arara Canindé EvandoLopes

Elas ocorrem em uma grande região da da América Central à América do Sul a leste da Cordilheira dos Andes, concentrada na região amazônica até o norte do Paraguai e Bolívia, mas chegando ao litoral somente no norte do continente, entre o Pará e a Venezuela. Também são encontradas em ilhas de ocorrência no sul do Panamá, Peru, Equador e Colômbia. Foi introduzida pelo homem em Porto Rico.

Estado de Conservação
(IUCN 3.1)

Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante

Elas são raramente avistadas em altitudes superiores a 1.650 metros. A atividade predatória do homem já fez com que em alguns locais fosse extinta, como em Trinidad e Tobago, Paraguai e Bolívia e, no Brasil, em Santa Catarina, ou quase extinta, como em São Paulo.

Na área do cerrado, atualmente o bioma mais ameaçado da América do Sul, onde outrora abundava, já é considerada em perigo. O caso se torna mais grave quando se sabe que a canindé está envolvida na dispersão de sementes, atividade importante para o equilíbrio do seu ecossistema, e que os caçadores clandestinos muitas vezes abatem as árvores com os ninhos para chegar aos filhotes, prejudicando a reprodução de diversas espécies de aves que utilizam o mesmo ninho em épocas reprodutivas diferentes.

Predadores

Além do ser humano, seus maiores inimigos são aves de rapina de grande porte, mas tucanos e primatas de médio porte podem predar ovos e filhotes. Alimentam-se de sementes e frutos, incluindo o buriti (Mauritia flexuosa), o cajuzinho (Anacardium humile), o iriri(Allagoptera leucocalyx) e a gabiroba (Campomanesia adamantinum), de preferência ainda verdes, a despeito das toxinas ou do sabor desagradável que tais alimentos possam ter.

Reúnem-se em grandes bandos em encostas argilosas expostas para ingerir argila, necessária para eliminarem toxinas da dieta e para enriquecê-la com um suplemento de elementos minerais. Têm grande força no bico, possibilitando-lhes abrir sementes de casca muito dura, como a castanha-do-pará

Seu grito típico é um RRAAAAK gutural e áspero com entonação ascendente, mas podem produzir diversas outras vocalizações mais anasaladas e musicais.

Veja e ouça aqui o canto da Arara Canindé, nas imagens de Pássaros do Brasil/Birds

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Abaixo, 42 outras aves comuns à Capital Federal. Clique no enlace e confira. 

 

Sobre Chico Sant'Anna

Sou jornalista profissional, documentarista, moro em Brasília desde 1958. Trabalhei nos principais meios de comunicação da Capital Federal e lecionei Jornalismo também nas principais universidades da cidade.
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7 respostas para Você conhece as aves de Brasília? Conheça aqui a Arara-Canindé

  1. Ótima iniciativa de trabalho sobre a fauna.
    Notei que o texto fala bem da arara canindé em geral, no entanto, não encontrei nada sobre a canindé em Brasília, que é a proposta do título da matéria.
    Não descreve seus hábitos e onde pode ser observada em Brasília. Ficou devendo isto !
    Att,
    Plínio L. Senna

    Curtir

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